Crítica: 'J. Edgar'
Se só existem dois tipos de filme - bom ou ruim, - e se é dever da crítica (ou das resenhas produzidas por profissionais especializados) não mentir para o espectador sobre quais são bons e quais são ruins, faz-se urgente informar que J. Edgar, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Leonardo DiCaprio, é uma retumbante porcaria. Entender como esses dois, seguindo o roteiro dito qualificado de Dustin Lance Black (Milk), conseguiram transformar a vida de J. Edgar Hoover, o diretor geral do FBI por 48 anos, num drama gay monótono fotografado quase que na penumbra, é uma tarefa indigesta.
Até parecia uma boa ideia. Hoover é dos mais polêmicos personagens da vida americana, criador de uma rede de monitoramento e investigação de quase todas as figuras públicas americanas durante quatro décadas. Mas, ao que parece, Eastwood, e sobretudo Lance Black, o roteirista, preferiram a via fácil: arrancar Hoover de dentro do armário onde esteve a vida inteira e apresentá-lo como um homossexual assustado, reprimido e cruel.

DiCaprio até que se esforça, mas sofre de um terrível mal, que simplesmente o impede de interpretar o papel como talvez tenha imaginado: é bonito demais. O verdadeiro Hoover era um homem feio, de cara torta e voz anasalada. Mesmo sob toneladas de látex e pó compacto não ficou sequer parecido (seja lá qual o parâmetro que se tenha para considerar alguém parecido com outra pessoa).
J. Edgar transforma grandes acontecimentos do século XX, aos quais o personagem esteve ligado direta ou indiretamente, num melodrama doméstico que se recusa a dizer claramente a que veio. E nisso, acredite, há um mérito. O confuso roteiro Dustin Lance Black, de saída e sem delongas, deixa claro que o protagonista tinha, às claras e sem maiores pudores, uma relação homossexual com seu braço direito Clide Tolson. Sim, os dois viveram juntos e, embora as provas disso sejam apenas circunstanciais, foram felizes. Isso, infelizmente, qualquer comédia romântica vagabunda faz (faria) muito melhor.
Cotação: * (Regular)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março
Arredores: Cine Bauhaus 2: 21h.
>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março
