Crítica: 'A fonte das mulheres'
Em A fonte das mulheres conhecemos o grupo de mulheres pertencentes a uma comunidade muçulmana que, já sobrecarregadas de afazeres, estão cansadas de subir e descer diariamente uma montanha para buscar água potável - inclusive algumas delas, grávidas, perdem seus bebês pelo esforço demasiado.
A fim de convencer seus maridos a substituírem-nas no trabalho, elas os chantageiam ao fazer greve de sexo (ou melhor, “greve de amor”, como chamam as personagens), a única arma que possuem diante do machismo com que são obrigadas a conviver.

O filme, do cineasta judeu-romeno Radu Mihaileanu (de Trem da vida), foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2011 e mescla muito bem drama e comédia - a música e a dança estão muito presentes e são empregadas pelas habitantes da aldeia como formas de se fazerem ouvir pelos homens.
A libertação de antigos preceitos, religiosos ou não, o papel da mulher na família e na sociedade e as políticas públicas que se aproveitam de determinadas “tradições” para manter a população em condições precárias de sobrevivência são temas presentes nesta fábula que é - infelizmente - um retrato fiel das dificuldades básicas por que passam tantas pessoas não apenas no Oriente Médio ou na África, mas dentro do próprio Brasil e do Ocidente. Apenas a roupagem é diversa.
Cotação: **** (Excelente)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março
Zona Sul: Espaço Museu da República: 14h, 17h, 20h. Estação Sesc Laura Alvim 3: 14h, 18h40.
>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março
