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Cultura - Programa

Crítica: 'Sherlock Holmes: O jogo de sombras'

Jornal do Brasil André Prado

Vamos lá, todos os heróis passaram por modificações e constatações que antes eram apenas abstraídas. Como abstrair o lado psicótico de um justiceiro traumatizado como Batman? Os conflitos de um jovem picado por uma aranha radioativa? Até o 007 atual não é tão bobo quanto nos filmes iniciais. Entra em campo a parte humana, os conflitos e as consequências que nossas escolhas nos apresentam. Assim, temos um Sherlock Holmes obcecado por seus mistérios, tramas e fantasmas adquiridos em anos de dedicação a solução de crimes misteriosos. Um Sherlock sozinho, viciado em ópio e capaz de qualquer coisa para solucionar um crime. Ao seu lado, apenas Watson, seu melhor amigo e companheiro, mas até ele está para se casar e isso pode significar o fim da dupla. Há a discussão quanto a uma possível conotação homossexual da parte de Sherlock com Watson. Mesmo com toda a liberação, e ampla abertura para certas discussões, continuamos engessados em certos aspectos. O próprio Downey admite que não haveria problema se assim fosse, mas esse não é o caso do personagem de Conan Doyle. O que temos é um Sherlock ciumento e com medo de perder seu fiel escudeiro e melhor amigo. 

Todos os heróis passaram por modificações e constatações que antes eram apenas abstraídas 

Guy Ritchie (direção) assina mais uma vez a franquia de Sherlock Holmes e continua com seu filme em velocidade de clipe. Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) está de volta, e seu fiel escudeiro, Watson (Jude Law), não poderia deixar de comparecer. A quimíca funciona mais uma vez e ainda temos a grata surpresa de ver Stephen Fry como Mycroft, o irmão mais velho de Sherlock. Fry está perfeito e consegue roubar a cena toda vez que aparece. Pena que não nos aprofundamos mais na genialidade do irmão mais velho. Quem sabe no próximo? O único ponto negativo para o irmão mais velho de Sherlock fica por conta de que o Downey, como tem sido em seus últimos papéis, está perfeito e carismático, mas, ao contracenar com Fry deixa claro que, apesar de estar muito bem no papel, não é inglês. 

Esta sequência começa com Irene Adler (Rachel McAdams) correndo perigo nas mãos do maior inimigo de Holmes, James Moriarty (Jared Harris), um gênio do crime. Holmes estraga um plano de Moriarty, salva Watson de sua lua de mel e, aliado ao seu irmão, terá que desmascarar os terríveis planos de Moriarty. Mary Morstan (Kelly Reilly), noiva de Watson, acaba participando de toda a confusão sem aviso prévio. Daí por diante o filme segue a premissa do título e a metáfora com o xadrez será levada até o fim. 

Personagens entram e saem como peões de xadrez  

Personagens entram e saem como peões de xadrez e teremos baixas em prol da vitória final deste jogo sombrio. O duelo mental de Holmes e Moriarty está presente na tela, assim como no livro. Ritchie deixa sua assinatura mais uma vez sem acrescentar nada novo, salvo uma nítida homenagem a um personagem de um filme citado acima. Seria uma homenagem ao personagem ou a um grande ator que nos deixou de forma precoce? Aos menos atentos... prestem atenção à maquiagem de Holmes em dado momento do filme e vejam que o coringa está representado na tela. 

Por fim, é um filme para assistir no cinema e se divertir bastante. Aos fãs dos nomes acima citados fica uma dica: Eles estão ótimos! Para os que duvidam e podem achar que quem escreve trata-se de um fã, vale citar que, antes de o filme estrear, um membro do grupo de Conan Doyle foi convidado para assistí-lo e disse que nunca tinha visto um Sherlock tão original e tão próximo do criador. Ação, suspense e uma química invejável na tela. Divirtam-se!

Cotação: **** (Excelente)

>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março 

Barra: UCI NY 7: 13h10 (dub), 15h50.  Zona Norte: Cinesystem Via Brasil 2: 21h (dub). 

>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março  



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