Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

Cultura - Programa

Crítica: 'Lola'

Jornal do BrasilEduardo Frota 

Celebrado como grande expoente de uma nova safra de diretores independentes, a ponto de já ter ganhado uma mostra exclusiva no Brasil, o filipino Brillante Mendoza levou a festivais ao redor do mundo seu olhar crítico sobre o país em que nasceu. 

Em suas produções, as Filipinas são capturadas sob lentes naturalistas, por câmeras que expõem as intempéries –  climáticas, políticas, sociais e burocráticas – que recaem em cima de suas personagens. Seu mais novo filme, Lola, coloca em destaque duas idosas que tomam a frente do sustento financeiro e moral de suas respectivas famílias.

Rustica Carpio é uma das 'lolas' do filme de Brillante Mendoza
Rustica Carpio é uma das 'lolas' do filme de Brillante Mendoza

A primeira cena já demonstra o quão penoso o desenrolar da trama vai ser. Em meio a uma tempestade de verão, debaixo de muita água e muito vento, uma das senhoras de idade (ou simplesmente lola, como são chamadas as vovós filipinas) tenta acender uma vela em memória do neto, vítima de latrocínio. Os movimentos seguintes dão conta dos preparativos para o funeral. Paralelamente, a outra lola busca a libertação do neto, suspeito de ter cometido o crime. Ambas caminham por uma Manila maltratada, onde assaltantes, golpistas e funcionários burocráticos dificultam os caminhos.

A fotografia é bem cuidada, os atores têm liberdade para lidar com a inexperiência cênica e o áudio ambiente, principalmente o da chuva, é tão importante quanto os diálogos. Chove o tempo inteiro. É preciso buscar abrigo a todo instante. A sequência final, que promove o encontro, cara a cara, das duas matriarcas, é singularmente comovente. Resume com contundência tudo o que foi mostrado em quase duas horas de projeção. Cotação: ** (Bom)

Tags: brillante mendoza, lola

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Comentários

1 comentário
  • neuziane, São luis

    O mundo precisa de diretores que denunciem a forma criminosa de governabilidade de países em vias de desenvolvimento.o trabalho do referido diretor é o início de uma tomADA de CONSCIÊNCIA mundial de dominação. parece não ter fim.

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