Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Pedro Simon

Expectativa

Pedro Simon*

Uma expectativa singular acompanha a realização do 20º Campeonato Mundial de Futebol que começa hoje no Brasil, quando a seleção nacional enfrenta a da Croácia. Diferente dos certames de épocas anteriores, quando as mais longínquas cidades e os mais indiferentes cidadãos não resistiam ao clima de festa e entusiasmo geral, desta vez uma sombra percorre o país. Com exceção da Copa realizada na França em 1938, em plena Guerra Mundial, quando jogadores da Áustria anexada foram requisitados por Hitler para defender a Alemanha nos gramados, nenhuma outra exigiu os cuidados que vemos agora e, tampouco, enfrentou tal indiferença da população.

O governo, temeroso com a onda de manifestações, greves e protestos que pipocam de forma quase espontânea e diária, colocou as Forças Armadas em estado de prontidão. As corporações policiais de diferentes níveis foram treinadas e destacadas para proteger torcedores e chefes de estado. Todo o governo foi mobilizado por meio de órgãos públicos que podem ser acionados durante o campeonato. Não faltaram apelos das autoridades para que os brasileiros participem do espetáculo com disposição e alegria, e recebam com amabilidade os milhares de turistas que vierem.

É inegável que esta Copa é diferente. Começa cercada de dúvidas quanto ao superfaturamento e desperdício de dinheiro público na  construção e reforma dos estádios. Apesar da garantia do governo de que apenas recursos privados seriam utilizados. Dez operários morreram em acidentes nas obras, devido às precárias condições de trabalho. Não se tem notícia de outro empreendimento com tantas baixas.

Vamos torcer por um bom desempenho e vitória de nossos jogadores nesta Copa é claro, sem deixar de aplaudir adversários competentes e leais. Protestos sim, a livre manifestação é um direito democrático que deve ser acatado. Desde que se mantenham dentro de um comportamento de respeito às leis e às pessoas. Até 13 de julho, o mundo estará olhando para o Brasil. Depois, o país mergulha na campanha eleitoral e no debate sobre o nosso destino como nação. 

*Pedro Simon é senador pelo PMDB-RS.

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