Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Pedro Simon

Futebol, violência e democracia

Pedro Simon*

É evidente que os brasileiros vão torcer entusiasmados pelo Brasil nesta Copa do Mundo de Futebol. País sede do espetáculo, contando com uma das melhores seleções dentre tantas que disputarão a taça – somos favoritos, aliás. Não há dúvida de que na hora em que começar o jogo e a bola começar a rolar nos caríssimos e superfaturados “estádios-arena’, estaremos prontos para cumprir nosso dever cívico-futebolístico.

Não há como negar, porém, que o clima ‘está esquisito’ e “não cheira bem”, conforme avaliação do sociólogo Luiz Werneck Vianna e da economista Maria da Conceição Tavares, em artigos recentes. Diariamente, em algum ponto do país, especialmente nas capitais, irrompem manifestações que geralmente descambam para a violência e depredação do patrimônio público e privado. Embora reunindo um número bem menor de participantes, se comparado com as multidões das jornadas de protesto de junho do ano passado, o radicalismo está sempre presente nas greves e paralisações que irrompem no dia-a-dia dos brasileiros.

Nos estertores do regime militar, a opinião pública manifestava tolerância com a saudável desobediência civil que irrompia frequentemente, e se traduzia muitas vezes em paralisações convocadas à revelia das direções sindicais acomodadas. Hoje, ao contrário, assistimos com extrema preocupação às ‘greves selvagens’ que paralisam setores sensíveis como o transporte público e os órgãos policiais, agravando o já sofrido cotidiano dos trabalhadores e deixando a população à mercê do banditismo e da violência.

É flagrante que em algum momento foi rompido um limite. Se a situação evoluir de uma forma trágica, saem favorecidos os lamentáveis ‘pescadores de águas turvas’. Esses estão sempre à espreita do momento em que o descontentamento generalizado e a falta de autoridade dos poderes constituídos, criem um ambiente propício para ataques diretos aos princípios que sustentam sistema democrático. Em nossa história, foram curtos os períodos em que vivenciamos uma democracia tão ampla quanto a que temos hoje. Lutamos muito para isso, e não podemos esmorecer na defesa dessa conquista civilizatória.

*Pedro Simon é senador pelo PMDB do Rio Grande do Sul.

Tags: coluna, JB, pedro, Simon, texto

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