Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Pedro Simon

BNDES em dívida com a sociedade

Pedro Simon*

Criado em 1952, como uma autarquia federal pelo presidente Getúlio Vargas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) teve a finalidade de participar como órgão indutor e planejador da industrialização que tomava impulso no país. Duas décadas depois se tornou empresa pública e, em 1982, recebeu na sigla o acréscimo da letra S, de ‘social’. A alteração pretendia refletir uma preocupação oficial com um maior equilíbrio na distribuição dos frutos do crescimento econômico.

Hoje, o BNDES não é conhecido por ações na área social, mas por uma política de apoio a grandes corporações privadas com a utilização de recursos públicos. O relatório de uma comissão parlamentar indica que num curto período de cinco anos, a partir de 2008, o BNDES gastou cerca de R$ 700 bilhões para comprar participações em empresas. Desse total, R$ 300 bilhões saíram do Tesouro Nacional, informa a revista AméricaEconomia.

Muitos empreendimentos resultaram em graves prejuízos astronômicos, gerando consequências para o endividamento público. Para financiar o banco, o governo lança títulos da dívida pública. Paga juros de mercado de 10%, ou mais ao ano e o BNDES repassa esse dinheiro por meio de empréstimos a empresas selecionadas - não se sabe por quais critérios -, a uma taxa de 6%. A diferença é paga pelos brasileiros que trabalham, e sequer têm ideia da forma voluntariosa com que o dinheiro público é tratado.

Além disso, o BNDES também saca do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), recurso que deveria ser protegido de ações temerárias, para estimular negócios e aventuras como as do ex-bilionário Eike Batista. Com a falência do empresário, R$ 10,4 bilhões foram pelo ralo, sem que se tenha notícia de qualquer ação do governo para recuperar essa fortuna mal aplicada. Prejuízo semelhante é o resultante de aplicações que somam R$ 8,1 bilhões em um frigorífico, cujas ações vêm caindo de valor ano a ano.

Tais prejuízos não podem ser considerados meros ‘acidentes’, conforme declaração de um executivo do banco em audiência no Congresso Nacional. Embora alegue razões de sigilo empresarial para não fornecer informações detalhadas sobre sua atuação, o BNDES deve muitas explicações à sociedade.

*Pedro Simon é senador da República pelo PMDB-RS.

Tags: considerados, meros, não, podem, prejuízos, ser, ‘acidentes’

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.