Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Maio de 2018 Fundado em 1891

Pedro Simon

Irã: uma chance para a paz

Pedro Simon*

O recentíssimo acordo nuclear entre o Irã e as principais potências ocidentais inaugura uma nova fase em termos de segurança atômica no mundo. Representa uma chance para a paz, num momento em que começavam a pipocar sinais amarelos prenunciadores de uma expansão da guerra civil na Síria, onde se entrecruzam interesses políticos, econômicos, estratégicos e militares internacionais. Os mísseis norte-americanos estavam prontos a serem disparados, enquanto a Rússia movimentava barcos de guerra para a região.

Especialistas e diplomatas destacam as novas condições geopolíticas que envolvem as nações signatárias, fatores que contribuíram para tornar  possível o acordo. O Irã distanciou-se da condição de país acuado, visto como ameaça latente à paz mundial e temeroso diante da ameaça constante de ataques, especialmente por parte de Israel. O novo governo moderado recém eleito iniciou uma aproximação com os Estados Unidos, iniciativa que remete à corajosa e inteligente ação diplomática simbolizada pela visita de Nixon à Pequim. Realizada em 1972, transformou em aliados estratégicos a China de Mao e a maior potência do planeta. Outro dado a considerar é o êxito da intervenção iraniana na Síria, mobilizando apoio logístico ao governo atual - que há poucos meses estava a ponto de cair. Vitorioso também na frente militar, o Irã se apresenta como potência regional decisiva.

            Finalmente, também contribuiu para o sucesso da iniciativa o isolamento em que Israel se colocou. Seu governo permanece impermeável a qualquer diálogo não pautado pelo seu poderio militar. Removida a desconfiança mútua, pelos termos acertados o país persa desiste de construir a bomba atômica - intenção que sempre negou. E as pesquisas e atividades nucleares iranianas passam a ficar submetidas à inspeção internacional. Em contrapartida, as sanções econômicas que reduziam a capacidade dedesenvolvimento do Irã começam a ser levantadas, favorecendo ainda o comércio mundial.

O acordo nuclear histórico e de grande significação para a humanidade ocupa com razão as manchetes da imprensa mundial. Nesse momento, não custa lembrar – e comparar - a intermediação promovida pelo Brasil e a Turquia em 2010. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdoðan, conseguiram a anuência de Teerã para um acordo que no fundamental tinha bases melhores do que as obtidas agora. Detonada na época por Barak Obama, por motivos ainda desconhecidos, a negociação previa que o urânio iraniano seria enriquecido no exterior, em níveis suficientes apenas para permitir a sua utilização para fins médicos e científicos. O contrato atual mantém esse processo nas centrífugas do Irã. Um detalhe significativo que não altera a essência do acontecimento e sua repercussão na história. O mundo está vivenciando um daqueles momentos únicos em que os cânticos de paz se elevam acima do brado pavoroso da guerra.

*Pedro Simon é senador pelo PMDB-RS. 



Tags: a humanidade, e de grande, histórico, nuclear, o acordo, para, significação

Compartilhe: