Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País

Gleisi Hoffmann cobra aliança formal do PSB e do PCdoB

Senadora reivindicou posição sobre apoio à pré-candidatura do ex-presidente Lula

Jornal do Brasil KATIA GUIMARAES, katia.guimaraes@jb.com.br

Ao final do giro pelo Nordeste, onde tratou das alianças do PT para as eleições deste ano, a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PR), desembarcou em Salvador, onde se reuniu com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o ex-ministro Jaques Wagner (PT). Em entrevista ontem, ela cobrou do PSB uma posição sobre o apoio do partido à pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desejo do PT é “uma coligação formal”, no entanto, o PSB está dividido e cresce a chance de optar pela neutralidade na campanha nacional, liberando os diretórios estaduais.

Segundo Gleisi, a intenção do PT é fechar alianças com o PCdoB e PSB, ainda no primeiro turno do pleito deste ano. “A nossa posição é de uma coligação formal. A nossa resolução diz exatamente isso, que as alianças a serem construídas de forma prioritária com PSB e PCdoB são alianças formais. Nós queremos que estejam junto na chapa com o presidente Lula. [O desejo do PT] não é que eles liberem os estados”, afirmou. 

Rui Costa e Jaques Wagner,  governador e ex-governador da Bahia, vão coordenar campanha no NE

No encontro com Rui Costa, pré-candidato à reeleição com 60% das intenções de votos, e Jaques Wagner, líder na corrida para o Senado, Gleisi ainda anunciou que caberá aos dois coordenar a campanha de Lula no Nordeste. Ela passou ainda pela Paraíba e Pernambuco, onde recebeu o apoio do PSB estadual para a candidatura de Lula. A estratégia do governador pernambucano, Paulo Câmara (PSB), que disse apoiar o ex-presidente mesmo que o PT tenha candidatura própria no estado, é colar sua campanha à reeleição ao nome de Lula, que lidera as pesquisas de intenção de votos na sucessão presidencial. Em alguns estados do Nordeste, o petista chega a ter 50% do eleitorado no primeiro turno das eleições.

Após a declaração de Paulo Câmara e uma conversa com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), Gleisi se mostrou otimista quanto ao acerto com o PSB, mas apesar do desejo do PT por uma aliança formal, cresce a tendência de a maior parte do PSB do Norte e Nordeste apoiar informalmente a pré-candidatura do ex-presidente, enquanto os diretórios das regiões Sul e Sudeste devem aderir ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Como última e talvez única opção, a neutralidade do PSB é apontada como saída para conter o avanço de Ciro. 

O PT ainda enfrenta dificuldades para costurar o apoio do PSB em Minas Gerais, estado considerado fundamental pelo partido, que pretende reeleger o governador Fernando Pimentel. O obstáculo é a pré-candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ao governo estadual. Na tentativa de conquistar o apoio de Lacerda, foi oferecida a segunda vaga para o Senado na chapa de Pimentel. A primeira vaga já é da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), vista como fundamental para impulsionar a campanha do governador mineiro. Lacerda, no entanto, tem defendido que, ou o PSB apoia Ciro Gomes, ou fica neutro na disputa ao Planalto. Apesar da divergência pontual com Ciro, Gleisi não descartou uma aliança com o PDT no segundo turno. “Isso não quer dizer que no segundo turno nós não vamos conversar. Temos que sentar com todos os partidos da centro-esquerda, progressistas, que querem a reconstrução do Brasil, para fazermos uma frente única no segundo turno”, disse.

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‘PSB está como biruta de aeroporto’ 

O deputado Júlio Delgado, vice-líder do PSB na Câmara, lamentou, ontem, a divisão interna de seu partido, que manifestou apoio à candidatura do ex-presidente Lula em Pernambuco, e, ao mesmo tempo, dá sinais de que pode firmar aliança com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. 

Delgado acredita que será muito difícil o PSB seguir unido neste pleito e a tendência é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais. “Estamos como biruta de aeroporto rodando, isso é muito ruim. Com todo respeito a Paulo Câmara, sabemos que Lula está inelegível. Ficar nessa situação a menos de um mês para a definição das alianças é o pior dos cenários”, disse Delgado, em entrevista à Rádio Eldorado. 

O vice-líder do PSB disse que é muito difícil, após a declaração de Paulo Câmara, que Estados do Nordeste e o Amapá marchem junto com Ciro Gomes. “Desde que perdemos Eduardo Campos e que Joaquim Barbosa (ex-ministro do STF) desistiu de ser nosso candidato à Presidência, ficamos desorientados”, admitiu. 



Tags: alianças, eleições, lula, presidência, pt

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