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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País

Lula cobra adesão do PSB, mas, no Sul e Sudeste, tendência é apoiar Ciro

Jornal do Brasil KATIA GUIMARÃES, katia.guimaraes@jb.com.br

Depois de muitas conversas com partidos à esquerda e à direita, o PSB deve indicar na reunião da Executiva Nacional, que acontece na semana que vem, quem o partido irá apoiar na sucessão presidencial de outubro, se o candidato do PDT, Ciro Gomes, ou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. No centro da disputa estão as costuras regionais, que têm grande peso para o PSB, como é o caso da reeleição em Pernambuco. O partido segue dividido, enquanto o Nordeste quer apoiar Lula, onde o ex-presidente está disparado nas pesquisas de intenção de votos, nos diretórios das regiões sul, sudeste e centro-oeste há grande resistência. O comando pessebista em Santa Catarina chegou a aprovar decisão que veta apoio a candidatos presos.

Essa também é a tendência do presidente do PSB, Carlos Siqueira, que já sinalizou que a legenda não deverá optar pela neutralidade e também não vê com bons olhos a possibilidade de aderir ao PT às escuras, pois Lula pode ter a candidatura impugnada e o partido deverá ter que lançar um outro nome. O entendimento entre as duas legendas não é fácil e o PSB pode pender para o PDT a depender do encontro da presidente petista, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e o governador pernambucano Paulo Câmara (PSB). Da conversa com Siqueira, ocorrida um dia antes, não houve avanços para uma aliança nacional.

Gleisi Hoffmann, do PT, usa como trunfo a candidatura de Marília Arraes em Pernambuco

Como primeiro vice da legenda, Paulo Câmara tem feito o que pode para construir o entendimento com o PT, levou a direção regional do PSB a anunciar apoio a Lula, foi à Curitiba visitar o ex-presidente e assinou notas contra sua prisão e pela sua liberdade. Nesta semana, fez mais um movimento nesse sentido ao ir a São Paulo para um conversa com o governador Márcio França (PSB) na tentativa de costurar a decisão do partido. O PSB reclama da falta de gestos do PT, que não apoia o governo Paulo Câmara, nem o PSB na Paraíba e, na Bahia, deixou a senadora Lídice da Mata (PSB) de fora da chapa petista para a reeleição do governador Rui Costa (PT). Lídice sairá para a Câmara, ainda assim, o PSB continua na coligação do PT baiano.

Já o PT diz que o PSB tem sido ingrato no momento em que a legenda precisa desse apoio e, principalmente, depois do espaço dado pelos governos petistas ao partido, ajudando a legenda crescer. O próprio ex-presidente externou sua insatisfação com o fato de o PSB resistir em apoiar a sua candidatura. Na visão de Lula, o PSB se beneficiou muito nos governos do PT, ocupando importantes ministérios, a presidência da Câmara, e ainda quando indicou a mãe de Eduardo Campos, Ana Arraes, ao Tribunal de Contas de União (TCU).

Em Pernambuco, Paulo Câmara trabalha com dois cenários. Sem o PT, costura uma aliança de esquerda com o apoio do PDT e PCdoB, além de outros partidos. Com o maior tempo de TV e de prefeituras, o governador deverá dar palanque a Ciro Gomes. Nesse caso, o PT deverá sair praticamente sozinho no primeiro turno da corrida estadual e lançará a vereadora Marília Arraes ao governo e o deputado Silvio Costa, do Avante, para o Senado. O senador Humberto Costa (PT) não tentará se reeleger e disputará uma cadeira na Câmara. 

A visita de Gleisi vem sendo vista como o último gesto do PT para tentar se entender com o PSB. Além do governador, ela visita a viúva de Eduardo, Renata Campos, que tem influência no partido e no tour nordestino passará pela Paraíba e Bahia. A intenção do PT é encaminhar para o fechamento das conversas, já que as convenções estaduais estão prestes a ocorrer. Só mesmo um gesto incisivo de Câmara garantindo a adesão do PSB pode reverter esse cenário, mas a palavra final caberá ao ex-presidente Lula. 



Tags: eleições, gleisi, presidência, psb, pt

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