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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País

Eleição: centro-direita busca união, mas sem pressa

Partidos esperam convenções para definir alternativa a Bolsonaro

Jornal do Brasil EDLA LULA edla.lula@jb.com.br

Diante da iminência de um segundo turno entre um candidato de esquerda e Jair Bolsonaro, apontada pela mais recente pesquisa de intenção de votos, da CNT/MDA, expoentes da chamada centro-direita começaram as suas costuras em torno da unidade. Como nenhum dos pré-candidatos colocados à direita tem uma preferência mais evidente sobre os outros na pesquisa, os respectivos partidos aguardam as convenções partidárias para decidir em qual dos nomes apostarão as suas fichas. 

Em encontros semanais, lideranças do Democratas, PRB, Solidariedade e PP acompanham os movimentos no tabuleiro do jogo eleitoral. Estão fechados no acordo de que aqueles que seguirem em desvantagem até julho, quando se inicia a temporada de convenções, abrirão mão da candidatura em prol do que estiver na vantagem. Na próxima semana, participarão do encontro o PR e o PSC. Desses partidos, já anunciaram pré-candidatos o Solidariedade, com o ex-comunista Aldo Rebelo (PE); o PRB, que lançou Flavio Rocha, das Lojas Riachuelo; o DEM, que tem como candidato o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ); e o PSC, que lançou o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro como candidato à chapa majoritária. Depois do mal-estar entre PSDB e DEM - quando surgiram informações de que o DEM cederia para ser vice dos tucanos -, o presidente da sigla, Antônio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador, disse que o partido não abre mão da candidatura de Maia. 

ACM Neto diz que, no momento, DEM não abre mão de candidatura de Maia

“O DEM tem um candidato à Presidência, o Rodrigo Maia. Não cogitamos, no momento, sair como vice em outra chapa”, disse ACM Neto. Segundo ele, não passa de especulação a informação de que o partido estaria negociando o nome do ex-ministro da Educação do governo de Michel Temer, Mendonça Filho, para a vice-presidência na chapa de Alckmin. Observadores apontam que os partidos estão preocupados com os índices das pesquisas e tendem a seguir o candidato de centro-direita com maiores chances, seja ele quem for. A avaliação que se faz é que ainda é cedo para cravar que Alckmin é o nome favorito. A pesquisa CNT/ MDA mostrou que a performance do pré-candidato do PSDB piorou, caindo de 8% nas entrevistas de março para apenas 5% das intenções de voto em maio. Para piorar a situação, a rejeição a Alckmin subiu de 50% para 55%. Além disso, experiências de eleições anteriores mostram que a imagem do tucano junto ao eleitorado não decola ao longo da campanha. 

As negociações caminham mais aceleradas no plano regional. Na Bahia, na próxima semana DEM e PSDB anunciarão a chapa composta por João Gualberto (PSDB) e Zé Ronaldo (DEM) para o governo estadual. Ainda não está defi nido quem encabeçará a dupla. “A dinâmica no plano regional é diferente. Pela complexidade do sistema político, essas negociações não podem estar vinculadas às tratativas no plano nacional”, diz ACM Neto. 



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