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País

Polêmica sobre foto com João Doria ‘é bobagem’, diz Moro

Imagem de ex-prefeito com juiz federal repercutiu nas redes sociais

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O juiz Sergio Moro minimizou, na manhã desta quarta-feira (16), a repercussão nas redes sociais da foto que tirou ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Doria, pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo. A foto foi tirada na noite de terça-feira, quando Moro recebeu o prêmio de “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no Museu de Historia Natural em Nova York.

"São circunstâncias diferentes, estar em um evento do social e tirar uma foto, não significa nada, acho uma bobagem isso", disse Moro, ao ser questionado sobre a foto.

"É um verdadeiro orgulho ter a honra de estar ao lado do juiz Sérgio Moro, um brasileiro de bem e que contribui diariamente para construir um país melhor", comentou a equipe de João Doria no post da foto no Facebook.

João Dória e Sérgio Moro, com suas respectivas mulheres, Bia e Rosângela, durante o evento em NY

Brasil tem instituições fortes e não há risco à democracia, diz Moro

No evento, Moro afirmou que não existe risco à democracia no Brasil, pois as instituições estão fortes. Ele destacou que é natural haver incertezas em um ano eleitoral. "As instituições estão operando, e políticos foram responsabilizados por crimes cometidos", destacou. O magistrado ressaltou que empresários no Brasil também buscaram o ganho fácil com operações envolvendo corrupção.

Moro fez algumas brincadeiras no início de sua palestra promovida em Nova York pelo Grupo Lide, empresa fundada pelo pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-prefeito da capital João Doria (PSDB). "Eu tinha dúvidas hoje se usaria uma gravata vermelha ou azul. A vermelha poderia representar o partido republicano (nos EUA) ou o Partido dos Trabalhadores. A azul poderia ser PSDB ou o partido democrata americano", comentou. Ele optou pela vermelha, que é a cor do logotipo do Lide.

"As instituições estão operando, e políticos foram responsabilizados por crimes cometidos", destacou o magistrado

O juiz destacou que, pelo fato de ter de trabalhar com a Operação Lava Jato para analisar casos de corrupção da Petrobras, aprendeu muito sobre o setor de petróleo e energia. "Se um dia sair da magistratura, eu posso tentar atuar nesta área.

Corrupção

O juiz ainda defendeu uma política de governo específica para atacar a corrupção no Brasil. Segundo ele, até o momento, o combate aos corruptos e corruptores partiu de policiais e juízes. Neste contexto, o juiz do Paraná fez elogios ao Supremo Tribunal Federal. "O STF tomou decisões importantes para a melhora do quadro institucional no País", disse.

Moro lembrou que, com a Operação Lava Jato, ocorreram 157 condenações de pessoas que cometeram crimes de corrupção ou lavagem de dinheiro. As punições foram direcionadas a executivos de empresas e também a políticos do PT, PTB e PMDB.

"Há um quadro de mudança sobre o combate da corrupção, que deve ser permanente. O setor privado tem grande responsabilidade em relação ao combate à corrupção", destacou. Ele apontou que a corrupção como problema estrutural afasta investidores, inclusive estrangeiros, que não querem participar de um "ambiente viciado" nem de concorrências cujo quadro não é claro.

Moro apontou que a corrupção não escolhe cores partidárias e aproveita para atuar onde há incentivos e oportunidades. "Há pessoas com falta de confiança na democracia, mas não pode haver resposta autoritária", destacou. "Temos de fortalecer a democracia e é impossível isso com corrupção e impunidade."

O juiz federal disse que entende que há um quadro de mudança sobre o combate à corrupção no Brasil, algo que deve ser constante. "Digo que o que as construtoras fizeram foi vergonhoso, mas passaram a corrigir seus problemas", apontou Moro.

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