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Por que os vidros da USP quebram?

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Faltavam 10 minutos para 1h desta terça-feira, 24, quando o vigilante Cosme Leite Cabral procurou o líder da equipe de guarda da Universidade de São Paulo (USP), Jaci Marcelino dos Santos, de 26 anos. Ao agente de vigilância, relatou que fazia ronda pela raia olímpica do câmpus quando se deparou com um dos painéis do muro de vidro quebrado. Cerca de 60 painéis depois, encontrou mais um quebrado. Mais adiante, já na outra extremidade, viu outro danificado.

Essa foi a terceira vez em seis dias que um incidente do tipo ocorre no local, parcialmente inaugurado há 20 dias. O motivo da quebra, contudo, será definido só após a emissão de laudo técnico - em até 30 dias. Além da hipótese de vandalismo, a investigação cogita defeito no material ou na execução do projeto, segundo a delegada Juliana de Andrade Barbosa, do 93.º Distrito Policial (Jaguaré).

As câmeras no local não estão em funcionamento. Em nota, a Prefeitura afirmou que uma viatura começaria o patrulhamento da área nesta terça-feira. Além disso, a Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana apura se houve negligência do agente que fazia a ronda na madrugada anterior, o que a USP nega.

Casos anteriores

Na sexta-feira, três painéis foram encontrados danificados. Uma testemunha disse ter visto um carro branco reduzir a velocidade perto do muro. Três dias antes, um vigilante encontrou outra placa quebrada após ter abordado um homem nas proximidades, que teria alegado procurar uma bolsa.

Enquanto isso, detrás do que resta do antigo muro de cimento, operários seguem instalando o restante das placas. O trecho deve ser entregue até maio, totalizando 2,2 quilômetros de muro. A obra envolve doações de 55 empresas e não tem custo para o município. Uma análise da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras não apontou problemas na execução.

Os painéis são de vidro temperado, como os de boxe de banho, que é de três a cinco vezes mais resistente que o comum, segundo o professor de Engenharia de Materiais da USP Samuel Toffoli. Para ele, vandalismo é a principal hipótese, mas o dano pode ter outras causas, como o tráfego de veículos. As empresas Ci & Lab e Crescêncio Petrucci Jr., que participaram da obra, declararam ser "pouco provável" um problema no projeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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