Jornal do Brasil

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

País

Boaventura de Sousa Santos repudia ação da Polícia Federal na UFMG

Intelectual português divulgou nota sobre desmonte das universidades públicas

Jornal do Brasil

Um dos intelectuais mais respeitados internacionalmente, o professor português Boaventura de Sousa Santos, diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, divulgou nota nesta quinta-feira (7) nota de repúdio à ação da Polícia Federal, que conduziu coercitivamente nesta quarta-feira (6) o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Arturo Ramirez, e de outros membros da instituição.

Além do reitor, a PF realizou condução coercitiva da vice-reitora, Sandra Regina Goulart Almeida, do presidente da Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa (Fundep), Alfredo Gontijo de Oliveira, e das ex-vice-reitoras Rocksane de Carvalho Norton e Heloisa Gurgel Starling, esta última coautora do livro Brasil: Uma Biografia, com a historiadora Lília Moritz Schwarcz, da USP.

Veja, na íntegra, a nota de Boaventura de Sousa Santos:

Na minha qualidade de Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, quero manifestar o mais vivo repúdio pela despropositada e ilegal condução coercitiva de que foi vítima o Reitor e a equipe reitoral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quero ao mesmo tempo testemunhar a mais veemente solidariedade a estes acadêmicos íntegros e quero pedir-lhes, em nome da comunidade acadêmica internacional, que não se deixem intimidar por estes atos de arbítrio por parte das forças anti-democráticas que tomaram conta do poder no Brasil.

Eles sabem bem que nada disto tem a ver pessoalmente com eles enquanto indivíduos, pois sabem que não há nenhuma razão jurídica que justifique tais ações. Os atos de que são vítimas visam, isso sim, desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização. 

Estamos certos que estes desígnios não se cumprirão, pois a resistência da comunidade acadêmica e do conjunto da cidadania democrática brasileira a tal obstarão.

O Reitor da UFMG e a sua equipe reitoral estão agora na linha da frente dessa resistência e merecem por isso não apenas a nossa solidariedade, mas também todo o nosso respeito.

Coimbra, 6 de Dezembro de 2017

Boaventura de Sousa Santos

Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra  

"Atos visam desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização"
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Tags: brasil, ensino, estado de exceção, intelectuais, polícia, política, privatização, violência

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