Jornal do Brasil

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

País

Justiça concede habeas corpus a ex-presidente da Eletronuclear

Othon Luiz Pinheiro da Silva foi preso na 16ª fase da Operação Lava Jato

Jornal do Brasil

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) concedeu habeas corpus e revogou a prisão preventiva do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva. O almirante estava detido há dois anos numa instalação da Marinha, no Rio de Janeiro, e vem passando por um tratamento de câncer de pele.

“O habeas corpus foi proferido pela Primeira Turma do TRF, entendendo que não estão mais presentes os pressupostos da prisão preventiva. Portanto, determinou a soltura do almirante. Ele passou por uma cirurgia de câncer e o tribunal entendeu que era caso de revogar por completo a prisão”, disse Fernando Fernandes, advogado de Othon.

Othon foi preso na 16ª fase da Lava Jato
Othon foi preso na 16ª fase da Lava Jato

O advogado ressaltou que Othon dedicou sua vida ao projeto científico nuclear do país e considerou que seu cliente é perseguido. Ele cumpria pena em uma unidade da Marinha.

“O almirante é um brasileiro que dedicou a vida ao projeto científico nuclear. É o mais importante cientista que temos nesta área. Ele é acusado pelo recebimento de R$ 3 milhões, o que não tem o menor sentido, pois se tratava de um estudo científico pelo qual recebeu. Ele não é acusado de receber porcentagem de obra da Eletronuclear. É um homem inocente, está condenado à pena mais alta da Lava Jato [menor que a de Sergio Cabral, de 45 anos]. Portanto, nós acreditamos que a condenação poderá ser revertida”, sustentou o advogado.

Considerado um dos mais importantes cientistas nucleares brasileiros, Othon foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber propina em contratos firmados por empresas. Ele se tornou réu em setembro de 2015, quando o juiz Sergio Moro aceitou a denúncia no âmbito de um processo derivado da 16@ fase da Operação Lava Jato.

Segundo a denúncia apresentada pelo MPF, a Andrade Gutierrez repassava valores para uma empresa de Othon Luiz, a Aratec, por meio de empresas intermediárias que atuavam na fase de lavagem de dinheiro. Além do pagamento de propina, a 16ª fase da Lava Jato apurou a formação de cartel e o prévio ajustamento de uma licitação para obras de Angra 3, que foi vencida pelo Consórcio Angramon – Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, UTC, Queiroz Galvão, EBE e Techint.

Tags: brasil, empresas, justiça, lava jato, prisão

Compartilhe: