Jornal do Brasil

Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Rio

Polícia Civil identifica 59 criminosos que participaram de confrontos na Rocinha

Desde o inicio das operações, foram apreendidos 23 fuzis, oito granadas e seis bombas

Jornal do Brasil

A Polícia Civil divulgou nesta segunda-feira (25) que, de acordo com informações dos Registros de Ocorrências, desde o inicio das operações das forças de segurança na Rocinha, no dia 22 de setembro, foram apreendidos 23 fuzis, oito granadas, seis bombas de fabricação caseira, 2.552 munições, duas pistolas e 101 carregadores de armas em operações conjuntas realizadas pelas Forças Armadas e as Polícias Civil e Militar na Favela da Rocinha e em outras regiões em ações relacionadas à ocupação da comunidade da Zona Sul. Até o momento, 16 pessoas foram presas e dois menores apreendidos.

A 11ª Delegacia de Polícia Civil da Rocinha já identificou 59 criminosos que participaram dos confrontos na comunidade, desde o dia 17 de setembro, data do primeiro confronto. A 11ª DP da Rocinha já obteve 29 mandados de prisão e a operação integrada possibilitou o cumprimento de sete mandados de prisão, inclusive contra lideranças criminosas presas, que ordenaram e autorizaram bandidos de suas quadrilhas a participar da invasão à comunidade.

O ingresso do 23º fuzil nas estatísticas ocorreu por conta da arma de calibre 762 apreendida na tarde de domingo, pelo 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon e da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, nas estatísticas. O fuzil foi encontrado pelos policiais na região conhecida como Matinha com um carregador. Hoje, nenhuma apreensão de fuzil foi registrada até a divulgação dessa nota.

Homens das Forças Armadas permanecem no cerco a comunidade para a garantia da ordem e do direito de ir e vir dos moradores da comunidade e dos bairros no entorno.

Estabilização

O ministro da Defesa Raul Jungmann afirmou em entrevista na manhã desta segunda à rádio CBN que houve "estabilização" na comunidade desde domingo (24), terceiro dia da operação conjunta entre Forças Armadas e a polícia do estado.

“Há uma estabilização de ontem para cá da situação dentro da comunidade da Rocinha e os tiroteios reportados não são mais entre traficantes, mas entre polícia e os bandidos”, disse Jungmann em entrevista à CBN.

A Polícia Militar postou um aviso sobre a ação na Vila Verde em seu perfil no Twitter. A corporação informou que também há uma operação em andamento no Morro do Turano, no Rio Comprido, na Zona Norte, onde estão as equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a PM, criminosos envolvidos no confronto da Rocinha teria se refugiado no Turano. 

Na Zona Oeste, equipes do 14º BPM (Bangu) fazem uma operação na Vila Vintém, em Padre Miguel. Suspeito de ser um dos mandantes da invasão na Rocinha, o chefe do tráfico na Vila, Celso Luiz Rodrigues, teve a prisão decretada. Celsinho, como é conhecido, está preso há 15 anos, após ser condenado a mais de 30 por crimes como tráfico de drogas, homicídio, corrupção, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.

Em entrevista coletiva realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) no sábado (23), representantes do estado e do governo federal afirmaram que as forças de segurança atuarão na favela por tempo indeterminado. Eles também pediram ajuda dos moradores para identificar e encontrar os envolvidos no confronto.

"Eles [os moradores] são as pessoas que podem nos ajudar a limpar por um longo tempo a comunidade", declarou o general Mauro Sinott, comandante da 1ª Divisão de Exército.

Rogério 157

O traficante Rogério 157 é apontado como o pivô da guerra iniciada no dia 17 de setembro. Imagens que circulam as redes sociais mostram o interior da casa do criminoso no alto da Rocinha, descoberta por policiais federais. O imóvel luxuoso despertou a atenção das autoridades.

A Polícia Federal entrou em negociação com familiares do traficante para que ele se entregue. A negociação para que ele se renda é conduzida pelo chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, delegado Carlos Eduardo Tomé. 

"Nós recebemos o contato de familiares dele, tentando negociar uma possível rendição desse traficante. Se ele não se entregar ou não for preso, certamente ele vai acabar sendo morto em confronto, porque ele está com um grupo de traficantes fortemente armado", explicou o delegado.

O Disque Denúncia aumentou de R$ 30 para R$ 50 mil o valor da recompensa para quem ajudar a localizar Rogério. As investigações da Polícia Civil indicam que ele havia deixado a Rocinha durante a semana, mas teria voltado na madrugada deste sábado (23). Desde o início dos confrontos, o Disque Denúncia recebeu 135 informes sobre o paradeiro de criminosos. Apenas nesta segunda-feira, foram 30.

Tags: apreensão, favela, operação, polícia, rocinha

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