Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

País

Blairo Maggi: Fux vê "veementes indícios" de obstrução da Justiça

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Na decisão que autorizou os mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ministro da Agricultura Blairo Maggi, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou que há "veementes indícios" de que Maggi, além de outras cinco pessoas, tenham cometido crime de obstrução de Justiça em diversos fatos ocorridos entre 2014 e 2017. Os mandados foram cumprido nesta quarta-feira (14) 

De acordo com Fux, a análise de depoimentos e documentos fornecidos a partir da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa e seu ex-chefe de gabinete, Sílvio Cesar Correa Araújo "são veementes os indícios quanto ao cometimento do crime de obstrução de investigação de crimes de organização criminosa por parte de Blairo Borges Maggi, José Aparecido dos Santos, Gustavo Adolfo Capilé de Oliveira, Marcelo Avalone, Carlos Avalone Júnior e Carlos Eduardo Avalone".

O ministro do STF enumera três fatos apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Um em 2013, quando pessoas ligadas a Maggi teriam agido em nome dele para "unificar as linhas de defesa", o que ocasionou na contratação do mesmo advogado por um grupo de investigados. Outro sobre alegações de delatores a respeito de uma suposta tentativa de Maggi de comprar por R$ 6 milhões o silêncio de investigados da Ararath em 2014, e ainda o fato de o ministro da Agricultura ter supostamente tentado comprar o silêncio de Silval depois que ele foi preso, em 2015.

Temer e Blairo Maggi: endereços ligados ao ministro da Agricultura foram alvo de busca e apreensão
Temer e Blairo Maggi: endereços ligados ao ministro da Agricultura foram alvo de busca e apreensão

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Blairo Maggi disse que nunca cometeu ou autorizou ação "ilícita" para obstruir a Justiça. Ele afirmou ainda que jamais cometeu "ilícitos" em sua vida pública ou em suas empresas.

Operação

Polícia Federal cumpriu nesta manhã mandados de busca em endereços ligados ao ministro Blairo Maggi (PP). 

O ministro foi alvo da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), homologada em agosto. Silval, que assumiu o governo de Mato Grosso após Maggi, afirmou que o ministro participou de um esquema de pagamento de mensalinho para deputados estaduais para comprar apoio.

O gabinete do deputado federal Ezequiel Fonseca (PP-MT) na Câmara dos Deputados também foi alvo de buscas. Ele foi um dos filmados recebendo dinheiro das mãos de Silvio Araújo, ex-chefe de gabinete de Barbosa.

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Outro alvo foi o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), também filmado recebendo dinheiro quando era deputado estadual.

A ação fez parte da Operação Malebolge (12ª fase da Ararath), desencadeada nesta quarta, que tem como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em 64 endereços.

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Tags: blairo, governo, justiça, ministro, stf, supremo

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