Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

País

Wesley, irmão de Joesley, também é preso em SP

Os donos da J&F teriam lucrado, ilegalmente, milhões no mercado financeiro

Jornal do Brasil

Wesley Batista, irmão e sócio de Joesley Batista na J&F e presidente da holding, foi preso neste quarta-feira (13) pelo Polícia Federal, em São Paulo. A prisão dele é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. A operação faz parte da Operação Tendão de Aquiles, que apura o uso de informações privilegiadas do grupo do J&F para lucrar no mercado financeiro. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

A operação investiga tanto a venda de ações de emissão da JBS na bolsa de valores, por sua controladora, a empresa FB Participações, em período concomitante ao programa de recompra de ações da empresa, reiniciado em fevereiro de 2017; e a compra de contratos futuros de dólar na bolsa de futuros e a termo de dólar no mercado de balcão, no mesmo período, entre abril e maio.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que essas operações ocorreram com o uso de informações privilegiadas e geraram vantagens indevidas no mercado de capitais em um contexto em quase todos os investidores tiveram prejuízos financeiros, "manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha".

Joesley está preso na PF, em Brasília, em caráter temporário, que poder virar prisão preventiva
Joesley está preso na PF, em Brasília, em caráter temporário, que poder virar prisão preventiva

Informações privilegiadas

Os irmãos são acusados de se aproveitarem da informação de que a delação premiada de Joesley impactaria o mercado financeiro, com a desvalorização das ações da JBS. Entre 24 de abril e 17 de maio deste ano, foram divulgadas informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado pela J&F com a Procuradoria-Geral da República.

Os investigados, que são alvos de seis operações da PF, venderam as ações da empresa, exceto a fatia de 42,5% que pertence a acionistas. Foram vendidas 42 milhões de ações, no valor de R$ 372 milhões. Assim, os dirigentes da JBS evitaram que o excesso de oferta desvalorizasse as ações. Diluíram os prejuízos, com a desvalorização de 37% nos papéis, entre os acionistas. Posteriormente, os papéis foram recomprados da FD pela JBS.

Essa operação de venda antecipada evitou prejuízo estimado em R$ 138 milhões. A forte queda no índice Bovespa também foi provocada pela manobra, que abalou a confiança do mercado, o que é essencial para atrair investimentos no país.

Valorização do dólar

Outra irregularidade apontada pela PF foi a compra de contratos futuros de dólar, num total de mais de US$ 2 bilhões, fazendo com que a JBS ficasse em segundo lugar na compra de dólares no país. Um dia após a divulgação da delação, houve valorização do dólar de 9%. 

Os irmãos Batista poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

"É injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça", afirmou, por meio de nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Joesley e Wesley. Pierpaolo foi o mesmo fotografa em um bar, conversando com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no sábado (9).

As acusações

Os irmãos são acusados também de chantagear autoridades públicas e de corromper mais de mil servidores, segundo o juiz João Batista Gonçalves, que pediu a transformação da prisão de Joesley de temporária para preventiva também, e o delegado Rodrigo de Campos Costa.

O magistrado alegou que os dois executivos "teriam continuado a praticar delitos mesmo após a celebração de acordo de colaboração premiada". O juiz defendeu a tese de que os irmãos da JBS "possuem considerável influência sobre as áreas política e econômica do país, inclusive com a prática de chantagem junto a autoridades públicas". João Batista Gonçalves alegou, ainda, que os depois poderiam fugir do país.

“Nós estamos diante de duas pessoas que se dizem criminosos confessos. Eles procuraram as autoridades e confessaram que corromperam centenas ou mais de mil servidores públicos e agentes políticos”, afirmou o delegado Rodrigo de Campos Costa.

BNDES

Com a confusão, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que detém 21% das ações da J&F, pediu que haja uma reunião do conselho do grupo para a tomada de decisões sobre os rumos da empresa e a escolha de um novo presidente.

Prisão de Joesley

Já Joesley Batista foi preso no domingo (10) de forma temporária. Rodrigo Janot solicitou a prisão devido ao fato de ele e o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, omitirem informações na delação premiada acordada com o Ministério Público Federal (MPF). Na autorização da detenção dos dois, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu que há “múltiplos os indícios, por eles mesmos confessados, de que integram organização voltada à prática sistemática de delitos contra a administração pública e lavagem de dinheiro”.

Tags: friboi, gilmar mendes, jbs, mpf, stf

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