Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

País

Temer recebeu R$ 31,5 milhões de vantagem indevida por participar de organização criminosa, diz PF

Segundo Funaro, Temer autorizou caixa 2 a campanha de Chalita por telefone

Jornal do Brasil

O inquérito da Polícia Federal (PF) concluído nesta segunda-feira (11), apresentou indícios da prática de crimes por parte do presidente Michel Temer e demais integrantes da cúpula do PMDB. Para os policiais federais, o presidente conta com terceiros para atuar no controle do grupo político, com o objetivo de obter recursos de empreiteiras e grandes empresas, como a JBS. Os valores quantificados pela PF da vantagem indevida recebida por Temer foram elencados em R$ 31,5 milhões.

Desse valor, R$ 500 mil teriam sido obtidos por meio de Rodrigo Rocha Loures, R$ 10 milhões da Odebrecht, R$ 20 milhões do contrato PAC SMS da diretoria de Internacional da Petrobras e R$ 1 milhão entregue ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo pessoal do peemedebista.

De acordo com nota da PF, o presidente possuía poder de decisão do PMDB da Câmara para indicar pessoas para cargos estratégicos e também para fazer a articulação com empresários beneficiados nos esquemas e receber valores de doações eleitorais.

Segundo a PF, a cúpula do PMDB mantinha “estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta”. Ainda segundo o inquérito, que será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o grupo praticou os crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas.

PF diz que grupo de Temer mantinha "estrutura organizacional com objetivo de obter vantagens indevidas"
PF diz que grupo de Temer mantinha "estrutura organizacional com objetivo de obter vantagens indevidas"

Funaro

Em acordo de delação premiada, o doleiro Lúcio Funaro afirmou que presenciou em 2012 um telefonema no qual o então vice-presidente Michel Temer teria avalizado pagamentos eleitorais como “pedágio” pela liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. A delação do doleiro - preso no presídio da Papuda, em Brasília - compõem o relatório da PF apresentado nesta segunda.

Segundo a PF, durante as negociações entre Funaro e Henrique Constantino, executivo da empresa aérea Gol para a liberação de recursos de um fundo público de investimento, Constantino pediu uma prova de que os recursos destinados à campanha de Gabriel Chalita (PMDB-SP) à Prefeitura de São Paulo, em 2012, seriam um pedido de Temer.

De acordo com a nota da polícia, “os valores para os pagamentos teriam sido levantados por Funaro com Constantino” e foram gerados pelo “adiantamento de valores de correntes de negócio escusos que este tinha com Funaro para a liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal”.

Atendendo o pedido de Constantino para confirmar a solicitação de Temer, Funaro disse que teria acionado o então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com Funaro, “em poucos minutos o próprio (então) vice-presidente Michel Temer teria ligado diretamente para Henrique Constantino agradecendo a disposição para realizar a doação”.  O repasse para a campanha de Gabriel Chalita teria sido de R$ 5,4 milhões.

Os investigadores apontam ainda que foram feitas doações oficiais e em sistema de caixa dois para Paulo Skaf, em 2014, após o candidato ser apadrinhado por Temer para campanha ao governo de São Paulo. 

Outro lado

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República informou que Temer “não participou e nem participa de nenhuma quadrilha”.

“O presidente tampouco fez parte de qualquer estrutura com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública. O presidente Temer lamenta que insinuações descabidas, com intuito de tentar denegrir a honra e a imagem pública, sejam vazadas à imprensa antes da devida apreciação pela Justiça”, diz a nota.

Tags: caixa 2, corrupção, pf, propina, temer, vantagem

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