Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Novembro de 2017

País

“Não tenho temor nenhum”, diz Cardozo sobre conteúdo de conversas gravadas por Joesley

Ex-ministro da Justiça também ressaltou que “ninguém tem controle do STF”

Jornal do Brasil

O ex-ministro da Justiça do governo Dilma, José Eduardo Cardozo, disse, na manhã desta terça-feira (12), não temer o conteúdo das conversas gravadas pelo dono da JBS Joesley Batista, que supostamente foram guardadas no exterior pelo empresário. Cardozo disse ter sido procurado pelo executivo para realizar serviços como advogado e rebateu as alegações de que teria recebido dinheiro da empresa por meio de um sócio e que teria negociado uma boa relação entre Joesley e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não tenho temor nenhum. Foi uma conversa de advogado com cliente, não houve nada de ilícito e acabei não pegando a causa”, disse.

Cardozo também confirmou que nunca prestou serviços advocatícios para a JBS e negou a acusação de que teria recebido dinheiro da empresa por meio de seu sócio, Marco Aurélio Carvalho. “Agora o Joesley diz que o Marco Aurélio teria dito que uma parte do dinheiro ia para mim. Ele diz que o outro diz. E minha sorte é que nunca decidi nada para a JBS”, contou.

"Não houve nada de ilícito e acabei não pegando a causa", diz Cardozo sobre conversa com Joesley
"Não houve nada de ilícito e acabei não pegando a causa", diz Cardozo sobre conversa com Joesley

Em uma conversa cujo áudio foi tornado público na semana passada entre Joesley, Ricardo Saud e o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, eles discutem sobre uma tentativa de gravar uma conversa com Cardozo para obter confissões dele sobre supostas irregularidades relacionadas a ministros do STF.  O objetivo seria demonstrar interesse na contratação do ex-ministro e, em seguida, gravar a conversa.

Segundo Cardozo, não seria nem possível ter esse tipo de influência no Supremo. “Ninguém tem o controle do STF, os ministros são soberanos quando decidem. Eu próprio perdi várias causas no STF, inclusive o impeachment. Se tivesse controle, seguramente Dilma Rousseff seria presidente da República”, disse ele.

Por questões de “sigilo profissional” o ex-ministro não quis revelar o teor da conversa com Joesley, mas disse que a recusa ocorreu após avaliar as “causas e condições” oferecidas pelo empresário durante a reunião.

Cardozo falou à imprensa em sua chegada ao prédio da Justiça Federal, em São Paulo, onde prestou depoimento como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Zelotes.Ele comentou não saber detalhes sobre o processo.

Tags: cardozo, conversa, gravação, ilícito, joesley, temor, áudio

Compartilhe: