Jornal do Brasil

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

País

Carlos Marun é escolhido relator da CPMI da J&F

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O presidente da CPMI que investiga se houve irregularidades nas operações entre o grupo J&F e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), escolheu o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), da tropa de choque do presidente Michel Temer, como relator.

A escolha foi cercada de muita disputa, pressão e polêmicas. Também foram escolhidos dois sub-relatores: os deputados delegado Francischini (SD-PR) e Hugo Leal (PSB-RJ).

O grupo J&F, dirigido pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, controla o frigorífico JBS e outras empresas. A CPMI vai investigar as operações da holding com o BNDES ocorridas entre os anos de 2007 e 2016.

A comissão de deputados e senadores vai investigar também o acordo de colaboração premiada do Ministério Público Federal com os acionistas das empresas.

Carlos Marun é escolhido relator da CPMI da J&F
Carlos Marun é escolhido relator da CPMI da J&F

Marun é um dos principais aliados do governo de Michel Temer e em sua campanha recebeu recursos de outros candidatos que foram financiados pela JBS. O deputado nega que se sinta impedido para ser relator e que pautará o trabalho da comissão pela “busca da verdade”.

“Eu me sentiria impedido se eu tivesse relação estreita com a JBS, coisa que eu não tenho. Então, me sinto completamente à vontade e tranquilo para o exercício dessa relatoria. Tenho uma relação estreita com o governo. Mas eu vou atuar em cima da verdade”, declarou Marun.

Expectativas

O deputado disse ainda que espera que a CPI não se transforme em “espetacularização” e palanque eleitoral. “Eu desejo que essa CPI apresente à população brasileira as respostas que a sociedade quer saber. Por que A JBS teve tantas facilidades junto ao BNDES? Qual o resultado de tudo isso? Afinal, deu prejuízo pro banco ou não deu? Se suas dívidas previdenciárias têm algum tipo de justificativa e, em terceiro lugar, as circunstâncias que envolvem este acordo de delação, que hoje está aí sofrendo todos os tipos de contestação”, disse.

O deputado não será o único relator da investigação. Segundo o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o deputado Fernando Francischini (SD-PR) vai ficar com a primeira sub-relatoria para tratar dos contratos com o BNDES, do fundo de investimentos e do caso da delação. Já a segunda relatoria, nas áreas fiscal, previdenciária e agropecuária, ficará a cargo do deputado Hugo Leal (PSB-RJ).

Ataídes justificou a escolha de Marun por ele ser do maior partido da Casa. “O PMDB é o protagonista da escolha por ser o maior partido na Câmara e é o nome indicado do partido e, como é costumeiramente aqui, que a proporcionalidade fica com a presidência ou relatoria, então eles indicaram o nome de Carlos Marun”, explicou Ataídes.

Reação

A escolha de Marun como relator motivou a reação de outros parlamentares. O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) pediu afastamento da comissão justificando que não quer participar do que considera como “revanchismo e troca-troca”.

Após a escolha dos membros da CPI por suas respectivas bancadas, esta é a primeira reunião de trabalhos da comissão. Durante a tarde, os parlamentares devem apreciar os primeiros requerimentos para que sejam ouvidos os irmãos Joesley e Wesley Batista, Ricardo Saud e o ex-procurador Marcelo Miller, que atuou como advogado da J&F poucas semanas após deixar o cargo de procurador no Ministério Público.

Com Agência Brasil

Tags: . escolha, cpi, jbs, marun, pmdb

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