Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

País

Gilmar é vaiado por plateia pró-Lava Jato e diz que STF tem mãos 'queimadas'

Homem foi detido ao tentar jogar tomates podres no magistrado

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O ministro do STF Gilmar Mendes declarou, durante evento na manhã desta segunda-feira (21), que a Corte tem as "mãos queimadas" por causa de intervenções. Mendes também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao final do evento, o magistrado chegou a ser vaiado por uma parte da plateia que é apoiadora da Lava Jato. 

O evento, organizado pelo Estadão em parceria com outras entidades como o movimento Vem pra Rua, teve outras ocorrências. Um homem foi detido ao tentar jogar tomates podres no ministro.

"Eu acho que aprendemos e temos hoje no Supremo Tribunal Federal as mãos devidamente queimadas com as nossas intervenções. Vamos assumir. Nós não fomos felizes na maioria das nossas intervenções envolvendo o sistema político-eleitoral", disse Gilmar Mendes.

Neste final de semana, Gilmar Mendes foi duramente criticado após conceder dois habeas corpus ao empresário Jacob Filho e ao ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira. Os dois deixaram a cadeia na manhã de sábado (19).

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"Nós não fomos felizes na maioria das nossas intervenções envolvendo o sistema político-eleitoral"
"Nós não fomos felizes na maioria das nossas intervenções envolvendo o sistema político-eleitoral"

Gilmar Mendes citou como exemplo a decisão unânime que derrubou a cláusula de desempenho, em 2006. "Mais do que isso, inventamos a chamada portabilidade. O sujeito sai do partido levando um ativo."

O ministro também defendeu o semi-presidencialismo como sistema de governo, que, para ele, protegeria chefes do Executivo de "crises que nos atingem". "Isso traria maior responsabilidade para o processo decisório congressual”, afirmou.

O ministro destacou que o financiamento público, como ocorre no Brasil, exige 'uma montanha de dinheiro que nós não conseguimos vislumbrar". "Tivemos dados que as campanhas de deputados custaram algo em torno de R$ 5 bilhões. Agora está se pensando num fundo de R$ 3,8 bilhões, já não corresponde aos custos da campanha”.

"Se nós considerarmos que aos R$ 5 bilhões talvez tenham que ser acrescidos pelo menos 30% de caixa 2, verbas não declaradas, gastos não declarados, isso indica que esse fundo que está provocando tanta revolta, crítica, muito provavelmente é insuficiente para o custeio das campanhas apenas dos deputados federais no modelo atual", apontou.

Tags: eleição, investigações, judiciário, manifestação, política, tomate

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