Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

País

'The Wall Street Journal': "Manter Temer no poder custou alto para o país", diz analista 

Jornal consultou especialistas sobre a decisão de adiar meta para 2020

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Nesta quarta-feira (16) o jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou uma matéria O Brasil abandonou seus objetivos fiscais para este ano e depois, depois que um escândalo de suborno prejudicou a capacidade do presidente Michel Temer de impulsionar as reformas econômicas pelo Congresso e deixou o setor público com um buraco orçamental.

De acordo com o Journal o ministro das Finanças, Henrique Meirelles, disse na terça-feira que a inflação e receitas fiscais mais baixas do que o esperado forçaram o governo a afrouxar seu objetivo para o déficit orçamentário primário ou o déficit do setor público antes dos pagamentos da dívida, de 2017 a 2020.

Isso significa que o peso da dívida do governo brasileiro, já o mais pesado de qualquer grande economia latino-americana em 73,1% do produto interno bruto, deverá continuar aumentando rapidamente nos próximos anos.

"O que aconteceu foi uma queda substancial na receita até agora em 2017", disse Meirelles em uma coletiva de imprensa. 

"Além disso, temos projeções para perdas [corporativas] em um nível superior e, portanto, maiores problemas ... na capacidade das empresas de pagar impostos".

A decisão de Meirelles, que tem sido objeto de intensa cobertura da mídia nos últimos dias, equivale a uma deficiência de alto perfil no esforço do governo para retirar a economia de uma recessão de dois anos.

WSJ destaca que decisão de adiar meta fiscal para 2020 é sinal de deficiência do governo em recuperar a economia 
WSJ destaca que decisão de adiar meta fiscal para 2020 é sinal de deficiência do governo em recuperar a economia 

O diário afirma que os decisores políticos haviam se movimentado nas últimas semanas para fortalecer as finanças públicas em uma tentativa de atingir os objetivos de déficit estabelecidos no ano passado. O Ministério das Finanças, em julho, tentou duplicar certos impostos sobre gasolina e diesel. As autoridades na semana passada admitiram que estavam pesando a criação de um novo suporte de imposto de renda acima da taxa máxima atual de 27,5%.

Tais medidas provocaram clamores de grupos de interesse e legisladores, muitos dos quais dizem que os impostos do Brasil já são muito altos e prometem votar contra novos aumentos. 

O problema é que, com a receita abaixo das projeções, o governo está ficando sem ter onde cortar gastos, com o roçamento dominado pela segurança social e pessoal, que em grande parte não podem ser tocados sem alterações na constituição do Brasil. As despesas discricionárias representam menos de 10% do orçamento federal, explica WSJ.

Desde que assumiu o cargo após o impeachment do presidente Dilma Rousseff no ano passado, o governo de Temer concentrou-se na gestão da economia no mercado. A peça central de sua plataforma era uma reforma de segurança social destinada a colocar as finanças públicas brasileiras em um caminho sustentável, lembra o Wall Street Journal.

Mas na sequência de um escândalo em maio, quando o presidente foi acusado de receber subornos de um empresário, Temer ficou concentrado em manter sua base no Congresso juntos. Ao invés de pressionar a reforma da segurança social, Temer passou grande parte dos últimos três meses com os legisladores antes da votação do Congresso para permitir que as acusações de corrupção contra ele prosseguissem.

Os analistas políticos dizem que a reforma da segurança social é agora um sonho distante.

"Manter o Temer no poder custoualto custo para o país", disse o consultor político Leonardo Barreto, observando que o ajuste fiscal do Brasil provavelmente levará mais do que o esperado.

"O caminho a seguir não é muito positivo", disse Ignácio Crespo, economista da corretora Guide Investimentos. "Poderia haver aumentos de impostos ... o déficit continuará sendo um problema. Isso faz uma recuperação muito mais difícil", disse ele.

> > The Wall Street Journal

Tags: ações, economia, estados unidos, interncional, mercado, tecnologia, trump

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