Jornal do Brasil

Domingo, 25 de Junho de 2017

País

"Tem que manter isso, viu?", diz Temer

Para Temer, áudio de conversa com dono da JBS confirma sua inocência

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou, na noite desta quinta-feira (18), a conversa do presidente Michel Temer com o dono da JBS, Joesley Batista, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. 

No diálogo, Joesley Batista pergunta a Temer sobre a situação de Eduardo Cunha. "Dentro do possível, fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele [Eduardo Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá [na cadeia], veio, cobrou, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né... O Geddel sempre tava... (...)".

A resposta de Temer é inaudível, mas Batista continua, afirmando que perdeu o contato com Geddel e que está dando conta do esquema com Eduardo Cunha. "Ele [Geddel] virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele (...) O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?", pergunta o dono da JBS a Temer.

Temer, então, responde a frase que foi divulgada na noite de quarta-feira (17), na qual dá o aval para o esquema que Joesley acabara de descrever. "Tem que manter isso, viu?".

Em outro momento, Temer diz algo inaudível ao empresário e Joesley responde: "todo mês". O empresário afirmou, em sua delação premiada com o Ministério Público Federal, que sua resposta faz referência a uma mesada que Cunha estaria recebendo para permanecer calado na prisão, sem negociar colaboração com a Lava Jato.

Joesley também afirma, na gravação, que "volta e meia ele [Geddel] citava alguma coisa tangenciando a nós", em referência a uma conversa vazada do ex-ministro Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha. 

A gravação tem duração de 38 minutos. Nela, Temer e Joesley conversam sobre a situação política e econômica do país. O trecho no qual Temer avaliza o pagamento de mesada para Cunha manter o silêncio sobre a Lava Jato ocorre nos primeiros 10 minutos da conversa.

Para Temer, áudio de conversa com dono da JBS confirma sua inocência

Michel Temer ouviu na noite desta quinta-feira (18), na companhia de assessores, o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista que o implicaria na compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro, investigados na Operação Lava Jato. Após ouvir o áudio, o entendimento de Temer e sua equipe é de que o conteúdo da conversa não incrimina o presidente.

O entendimento do governo é que a frase dita por Temer “tem que manter isso, viu?” diz respeito à manutenção do bom relacionamento entre Cunha e Batista, e não a um suposto pagamento de mesada pelo silêncio do ex-deputado. Além disso, Temer minimiza a sua fala no trecho no qual Batista diz que está “segurando dois juízes” que cuidam de casos em que o empresário é processado.

“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. A expectativa do governo é que o STF investigue e arquive o inquérito.

Tags: gravação, jbs, joesley, lava jato, política, Temer

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