Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

País

'Financial Times': Justiça no Brasil é lenta para investigações de corrupção

Reportagem lembra que escândalo do mensalão demorou oito anos e investigou 50

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O jornal britânico Financial Times traz em sua edição desta segunda-feira (20) uma matéria onde analisa que praticamente todos os políticos de Brasília serão inevitavelmente mencionados em investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras, conhecido como Lava Jato.

A reportagem lembra que a Rodrigo Janot, procurador-geral da República, pediu permissão à Suprema Corte para investigar 83 políticos, dando assim um impulso no caso que completa três anos. 

Times avalia que os mercados mal responderam apesar do congresso ficar alarmado com a "lista de Janot". A razão pela qual os investidores permaneceram otimistas foi que eles já viram esse filme antes, dizem analistas. Uma lista semelhante produzida há dois anos, solicitando permissão para investigar 50 políticos, resultou em casos contra apenas quatro deles sem condenação, segundo pesquisa do jornal Folha de S Paulo.

> > Financial Times Justice is delayed in Brazil’s slow corruption probe

"A primeira grande questão é como o Supremo Tribunal vai trabalhar em termos de velocidade nesses casos", disse Thomaz Favaro, analista político da Control Risks, uma consultoria de risco. "Os precedentes não são bons". 

Qualquer ameaça ao governo Temer e seus aliados no congresso normalmente preocuparia os investidores, que estão apostando em suas propostas de reformas para retomar o controle do déficit orçamentário do Brasil e acabar com uma recessão no continente, aponta o diário financeiro. 

Realizar a reforma das pensões que os economistas acreditam ser essencial para que a despesa pública permaneça dentro do novo limite máximo parece ser a prioridade de Temer, acrescenta.

Os mercados têm aplaudido as reformas. Nos últimos 12 meses, o mercado de ações subiu 26% e a moeda brasileira, o real, avançou 17%. "Lenta mas firme, a economia brasileira está se movendo em direção a um macro equilíbrio", disse o economista Alberto Ramos Goldman Sachs em uma nota. 

"A primeira grande questão é como o Supremo Tribunal vai trabalhar em termos de velocidade nesses casos", disse Thomaz Favaro, analista político da Control Risks, uma consultoria de risco
"A primeira grande questão é como o Supremo Tribunal vai trabalhar em termos de velocidade nesses casos", disse Thomaz Favaro, analista político da Control Risks, uma consultoria de risco

No entanto, a capacidade do governo Temer de manter esse impulso depende, em parte, da investigação Lava Jato, segundo analistas. A nova lista de 83 políticos proferidos para investigação neste mês baseia-se em delações de 77 executivos da Odebrecht, a maior empresa de construção do Brasil. 

Responsável por muitos dos principais projetos da Petrobras e por outros programas liderados pelo Estado, como a construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, a Odebrecht foi o centro do que o Departamento de Justiça dos EUA descreveu no ano passado como " um organizado esquema de suborno e fraude", explica o Financial Times.

Apesar da evidência potencialmente prejudicial contida nos depoimentos da Odebrecht, os analistas acreditam que poderia levar anos até que os políticos envolvidos pudessem enfrentar acusações e ser condenados, destaca o noticiário. 

Os analistas apontam para o precedente do "mensalão", um escândalo de compra de votos que envolveu os membros mais antigos da cúpula política do Brasil, ressaltando que demorou oito anos para se chegar a alguma conclusão e a lista de 50 nomes foi completamente esquecida, 

A razão para a lentidão é que o Supremo Tribunal do Brasil foi concebido para resolver as questões constitucionais mais elevadas. Na prática, no entanto, tornou-se o tribunal de apelação para uma assombrosa variedade de casos, sobrecarregando drasticamente seus 11 juízes, dizem analistas. 

Como a próxima eleição está prevista para 2018, e muitos dos implicados nas investigações de corrupção já se aproximam do fim de suas carreiras, eles já podem estar fora dos seus cargos ou até mesmo falecidos no momento em que seus casos chegarem a julgamento, conclui o Financial Times. 

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Tags: Lula, Ministério, PT, Parlamento, delcídio do amaral, dilma, eduardo cunha, política

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