Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

País

Madrasta de Bernardo queria "se livrar" dele, diz testemunha 

Portal Terra

Uma amiga de Graciele Ugulini, madrasta do garoto Bernardo Uglione Boldrini, foi a quinta testemunha de acusação a ser ouvida pela Justiça, nesta quarta-feira, na audiência de instrução do processo criminal que apura a morte do menino de 11 anos, ocorrida em abril. Em seu depoimento, ela relatou uma conversa em que Graciele teria dito que, assim como o pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini, estava farta das constantes discussões com o garoto, e que ambos decidiram "se livrar" dele.

A testemunha é dona de uma loja na cidade de Redentora, onde Graciele também morava. Em seu depoimento, que durou pouco mais de uma hora, a mulher relatou que recebeu a visita da madrasta de Bernardo cerca de dois meses antes da morte dele, e que ela se queixou do comportamento "difícil" do menino.

A madrasta falou à amiga sobre as brigas entre o enteado e o casal, e que o garoto, inclusive, ameaçava o pai com faca. Disse que tinha medo de deixar a filha sozinha com o irmão, e que o casal, farto da situação, estava decidido a "se livrar" de Bernardo. Graciele também teria dito à testemunha que "se Leandro tivesse um sítio com um poço já teria feito isso há muito tempo".

Ao ouvir o desabafo da amiga, a testemunha disse que tentou demovê-la da ideia e sugeriu que o casal entregasse Bernardo para a avó materna ou fosse encaminhado para tratamento psicológico. Em resposta, Graciele teria dito que a avó, ao constatar o comportamento agressivo do garoto, desistiu de cuidar dele, assim como os psicólogos também teriam desistido de tratar o menino.

A mulher afirmou que não avisou a polícia porque acreditava que as declarações fossem "da boca para fora" e Graciele era uma pessoa que costumava mentir, exagerar o que falava. A amiga também relatou que a madrasta sonhava em se casar com um homem rico, de preferência um médico.

Audiências

A tesmunha desta quarta-feira depôs por carta precatória (quando a testemunha reside fora da Comarca onde o processo tramita) no Foro da Comarca de Coronel Bicaco (RS).

Na próxima segunda-feira, na Comarca de Três Passos, mais sete testemunhas arroladas pela acusação deverão ser ouvidas. Também serão ouvidas testemunhas nas cidades de Rodeio Bonito, Santo Ângelo, Soledade, Frederico Westphalen e Santa Maria, todas no Rio Grande do Sul. Outras quatro pessoas já prestaram depoimento sobre o caso. 

Ao todo, 77 pessoas foram incluídas como testemunhas, sendo 25 pelo Ministério Público, de acusação, e 52 pelas defesas dos quatro acusados.

O caso 

Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, em Três Passos, depois de – segundo a versão da família - dizer ao pai que passaria o fim de semana na casa de um amigo.

O corpo do garoto foi encontrado no dia 14 de abril, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens do rio Mico. Na mesma noite, o pai, o médico Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, e a assistente social Edelvânia Wirganovicz foram presos pela suspeita de envolvimento no crime.

Segundo a Polícia Civil, o menino foi dopado antes de ser morto.

Tags: Gaúcho, madrasta, menino, morto, pai

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