Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País

Passeata de bebês na USP pede negociação para encerrar greve

Portal Terra

Há três meses, três casais de São Paulo se revezam na estratégia batizada de “Creche-Crise” – “Creche Residencial Itinerante Solidária e Experimental”: cada um deles cuida, a cada dia da semana, de dois filhos dos outros dois pares, além de seus próprios, para que nenhuma das crianças, de um ano e meio a quatro anos, fique sozinha enquanto os adultos trabalham. A iniciativa foi uma maneira que a professora de artes Kelly Sabino, de 30 anos, encontrou para lidar com a suspensão dos trabalhos da creche da Universidade de São Paulo, em greve desde o último dia 27 de maio.

Kelly é docente na instituição e integrou nesta quinta-feira um grupo de pais e mães de alunos das creches da USP, na capital e n o interior, que realizaram uma passeata com os bebês pelo campus em São Paulo. Segundo a guarda universitária, cerca de 200 pessoas participaram do ato –metade delas, pequenos –que começou na creche central e terminou em frente à reitoria. Estudantes, funcionários e professores, representantes ou não do movimento grevista, se juntaram ao protesto.

Tanto a professora quanto outros pais e mães se disseram afrontados com as declarações do reitor, semanas atrás, à rádio CBN. Em entrevista, Zago disse que, até aquela data (8 de agosto), o impacto da greve na sociedade era “nenhum”. “Não é a greve que tem impacto, mas os atos ilegais praticados por grevistas”, definira. Dias depois, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) negaria liminar à universidade, que pleiteava a declaração de ilegalidade da paralisação.

“Como que o reitor afirma que não há impacto com a greve, se trabalhamos e não temos a creche para deixar nossos filhos? Meu trabalho na universidade não parou”, reclamou a professora, que tem dois filhos pequenos na creche central. “Não é apenas a creche fechada: é um projeto educacional bacana que é interrompido; são crianças que, sabemos, hoje brincam sozinhas e chegam ao ponto de criar amigos imaginários. Está muito difícil.”

Tags: manifestação, paralisação, servidores, SP, universidade

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