Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Novembro de 2014

País

"Nasci outra vez", diz morador de pensão que explodiu em SP

Portal Terra

Morador da pensão que explodiu na madrugada de sábado após um vazamento de gás, o barman Isaías Pereira dos Santos, 27 anos, disse que ajudou a resgatar vítimas feridas e que as “cenas terríveis” que presenciou não saem da sua cabeça.

“A sensação fica na memória, foram cenas terríveis. Um homem estava sem os dedos das mãos, o outro estava soterrado até o pescoço. Tinha uma gestante ferida também. Eu estava dormindo quando tudo aconteceu, meu colega que me acordou. Nasci outra vez”, disse Santos.

A pensão, que acomodava 28 famílias fica na Rua do Glicério, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo. A explosão ocorreu por volta das 5h de sábado, em um encanamento da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) na rua – e não dentro do imóvel. Segundo a Comgás, após uma reclamação sobre cheiro de gás recebida às 2h40, uma equipe foi enviada até o local.

Das nove pessoas feridas, cinco já tiveram alta e quatro continuam internadas – duas em hospitais particulares, uma no Hospital das Clínicas e outra na Santa Casa. A reportagem não conseguiu informações sobre o estado de saúde delas.

“Vamos pedir indenização sim. Não é querer se aproveitar da situação, mas eu poderia estar morto agora”, continuou Santos.

A Comgás informou na tarde deste domingo que de fato é de sua responsabilidade o pagamento de indenização relativa a bens materiais que tenham sido perdidos na explosão. A companhia informou também que tem de 24 horas a 48 horas, contadas a partir de hoje, para garantir alojamento definitivo às famílias – nesse caso, contudo, a Comgás informa que, como os moradores são inquilinos, e não proprietários, sua responsabilidade vai apenas até o fim do prazo dos aluguéis já pagos.

Famílias reclamam de descaso 

Sem poder resgatar seus pertences e sem ter onde ficar, as famílias que moravam na pensão agora sofrem com a incerteza diante do futuro. Muitas também reclamam de descaso e relatam que, até chegar na tarde deste domingo em um hotel no Brás, no centro de São Paulo, passaram por outras duas pensões onde não havia nem água.

“Nos levaram para uma pensão toda bagunçada, com banheiro compartilhado, tudo sujo, não tinha nem água. Não tem condição de ir pra lá com as crianças”, disse a garçonete Maria de Fátima Souza Bandeira, 29 anos, que tem uma filha de 4 anos e um filho de 14 anos.

"Tiram a nossa moradia e agora nos oferecem um lugar nessas condições? E hoje ainda aparece gente aqui dizendo que não pode fazer nada, que é domingo. Eles estão todos em suas casas, já dormiram e já comeram. E a gente aqui, nessa situação”, lamentou a auxiliar de ensino Patrícia Vieira da Silva, 26 anos.

Em nota, a Comgás afirmou que "continua prestando assistência às pessoas do incidente" e que "algumas foram transferidas para albergues e hotéis, outras preferiram ir para casa de familiares e amigos". A companhia disse ainda que continua monitorando a evolução do quadro de saúde dos feridos.

Tags: desabrigados, Explosão, feridos, prédio, SP

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