Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

País

El País: "Intransigência política e fé"

Jornal espanhol afirma que Marina deveria ser temida por questões políticas e não pela religião

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Em artigo publicado nesta terça-feira(19) o jornal El País analisa as relações entre política e religião existentes no Brasil e como a vertente religiosa dos candidatos pode influenciar na quantidade de votos durante a eleição. O jornal cita a candidata Marina Silva como exemplo, que consegue mais intenções de voto entre a classe média e a intelectual que entre as camadas mais pobres. Marina poderia meter mais medo nos outros candidatos pela sua conhecida política ambientalista do que pelas suas crenças religiosas.

O El País destaca ainda a união entre Marina e Eduardo Campos, morto em um acidente de avião no dia 13 de agosto, para defenderem juntos uma terceira via frente á polarização entre o PT de Dilma e o PSDB de Aécio. Essa terceira via, segundo o jornal, seria de fazer política de uma maneira diferente, com um projeto econômico sustentável para fazer o país crescer, com uma forte ênfase na proteção do meio ambiente e dar uma resposta dos protestos que aconteceram em junho de 2013.

Segundo o artigo, o projeto progressista carregava fortes traços das convicções religiosas, tanto de Campos, quanto de Marina: Ele um católico praticante – assim como toda a sua família – e Marina, evangélica que já militou no catolicismo através dos movimentos da Teoria da Libertação. Ambos, segundo o El País, “sem manchas de corrupção em suas biografias políticas”.

O jornal espanhol chama a atenção para o fato de que no Brasil, considerado um país democrático onde existe a separação entre estado e igreja, as convicções religiosas apresentada nas campanhas “não só não assustam, como rendem votos”. A busca pelos votos de católicos e evangélicos são traduzidos nas declarações dos políticos, como a do ex-presidente Lula que em declaração ao El País disse que não teria sido eleito sem a ajuda da igreja católica.

Além disso, segundo o El País, após a morte de Campos, que colocou Marina em primeiro plano, a presidente Dilma, que declarou que em momentos difíceis pedia a ajuda de Nossa Senhora, participou de um encontro com cinco mil pastores evangélicos.

O El País aponta ainda outros fatos que demonstram a influência religiosa nas questões políticas do país, como a inauguração do Templo de Salomão, pertencente a vertente neopentecostal, Universal do Reino de Deus, que reuniu diversos políticos e candidatos as eleições, incluindo a presidente Dilma. Já Marina, evangélica, não apareceu. Além disso, o fato de que nas eleições de 2010, houve uma pressão religiosa sobre questões como a legislação sobre o aborto, fazendo a presidente se comprometer a não tocar mais no assunto durante o seu mandato.

No entanto, o artigo considera que Marina poderia ser mais aberta a certos temas nos quais outros políticos conservadores não-religiosos são mais fechados, como comentou o teólogo Leonardo Boff, para o El País.

O jornal destaca que Marina é mais do que uma militante evangélica, segundo os que a conhecem, ela é uma ecologista empenhada com assuntos não só sobre meio ambiente, mas também em questões de justiça social. “Mais forte que sua fé religiosa é sua habilidade para abrir caminhos na política, que dizem parecer com Lula nesse quesito, com quem Marina militou durante 30 anos, antes de deixar o PT”, conclui o El País.

Tags: brasil, el pais, Marina, política, religião

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