Jornal do Brasil

Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

País

Resultados da pesquisa Datafolha não surpreendem especialistas

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

A divulgação da pesquisa Datafolha nesta segunda-feira (18) não surpreendeu os especialistas. Segundo as intenções de voto dos entrevistados, uma disputa acirrada levaria Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade) ao segundo turno. No primeiro turno, a petista teria 36% dos votos, contra 21% de Marina e 20% de Aécio Neves (PSDB). Em uma simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma por 47% a 43%. Contudo, se Dilma enfrentasse Aécio, venceria por 47% a 39%.

>> Datafolha: Marina empata com Aécio no 1º turno e com Dilma no 2º turno

Para o cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFF), Marcus Ianoni, “mais que a morte de Eduardo Campos, o que explica o índice de Marina Silva é o fato dela ser conhecida desde a campanha de 2010, quando teve 20 milhões de votos, e expressar um sentimento de renovação de algumas práticas políticas”.

Ele também diz que a possível candidata, “é mais conhecida pelo eleitorado do que era Eduardo Campos. Além disso, ela atrai alguns indecisos e insatisfeitos, setores esses que se fizeram presente nas manifestações do ano passado. A disputa maior, tomando como base a pesquisa divulgada hoje, é entre Aécio e Marina. Por um lado, Aécio tem mais tempo na TV e mais máquina partidária, por outro, Marina já ingressa como candidata triplicando a intenção de voto que havia em Eduardo Campos. Vamos ver”.

Marina Silva e Eduardo Campos
Marina Silva e Eduardo Campos

Embora Eduardo Campos estivesse em terceiro lugar nas pesquisas, seu índice de intenções votos não fazia frente a Aécio e Dilma. Sobre isso, Ianoni acredita que “quem votaria branco ou nulo, quem estava indeciso ou quem não havia opinado migrou agora para Marina, esse migração é que explica o crescimento dela. Eduardo tinha 8% na última pesquisa, ela subiu 13%, indo para 21%, pois os brancos/nulos, indecisos e os que não tinham opinião caíram de 35% para 22%”.

O sociólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Bahia, também reforça a “memória eleitoral” de Marina. “Ela era uma candidata a vice diferente do Michel Temer e do Aloysio Nunes. Já havia sido candidata à presidência e teria sido novamente, se tivesse conseguido criar o seu partido. Era mais conhecida que o próprio Campos”, explica.

Contudo, para o sociólogo, “esse não é um reflexo eleitoral. É um dado novo, são mudanças significativas. Mas tudo ainda está muito recente e ainda temos um certo tempo até as eleições. Por isso, vamos esperar novas pesquisas para ver como vai ficar”.

Bahia considera que a emoção causada pela morte de Campos pode ter atraído mais olhares para Marina, mas reforça que a política já era conhecida pelo povo brasileiro e teve um bom rendimento nas últimas eleições. “A presença de Marina consolida um segundo turno e despolariza a disputa entre tucanos e petistas. Isso deve estar deixando os estrategistas das campanhas de Dilma e Aécio em desespero”, diz. Ele acrescenta que “o partido de Campos não tinha outro nome para concorrer. A morte de Campos deu essa possibilidade para Marina”.

O sociólogo também analisou os novos números apresentados pela pesquisa. Se antes a disputa estava entre Dilma e Aécio e a petista venceria no segundo turno, agora as intenções de votos em Marina desequilibram esse cenário. “O que nós observamos é que diminuiu drasticamente o número de votos nulos. Então essas pessoas que estavam indecisas podem ter optado pela Marina. Por outro lado, também observamos uma pequena redução de possíveis votantes em Aécio, mas Dilma foi quem mais caiu. Então pode haver também uma migração de votos dos dois candidatos para Marina”, avalia.

* Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: Aécio Neves, Dilma Rousseff, Eduardo Campos, eleições2014, Marina Silva

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.