Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

País

Especialista: avião com mais de 10 lugares tem que ligar gravador de dado e voz

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Para aeronaves com mais de 10 assentos é obrigatório ligar a chamada caixa preta, que registra os dados do voo, e o gravador de voz, como prevê a legislação dos órgãos competentes. A explicação foi dada pelo comandante Luis Guilherme Andrade, presidente da entidade de Aviação Civil Fly Training Center, após o episódio com a caixa preta do jato executivo Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que levava o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, para Santos, litoral paulista, e caiu logo depois de arremeter no aeroporto da região. 

Local do acidente que matou Eduardo Campos e membros da sua equipe de Comunicação
Local do acidente que matou Eduardo Campos e membros da sua equipe de Comunicação

Nesta sexta-feira (15/8), a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pela investigação da queda, informou que a gravação da caixa-preta do avião que levava Campos e mais seis pessoas da sua equipe não era do voo acidentado. De acordo com a FAB, já foram extraídas e analisadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) as duas horas de áudio do equipamento. As possibilidades levantadas pelo comandante Luis Guilherme é do equipamento ter tido algum problema técnico antes do voo e nem chegou ser acionado ou dele ter sido desligado. "Essa tecnologia tem um sistema automático, é acionada no mesmo momento que o motor é ligado. O piloto tem como verificar se ela está devidamente funcionando antes da viagem, mas esse procedimento não é usual", disse Andrade.

Segundo Andrade, a manutenção da caixa preta deve ser feita periodicamente, como recomenda o fabricante, pela oficina de manutenção. Ainda nesta sexta (15), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a aeronave em que viajava Campos não poderia decolar sem o gravador de voz ativado. Segundo o órgão, embora não seja um item de segurança, o equipamento deve ser obrigatoriamente checado pelo comandante antes do início do taxiamento, conforme manual de operação do fabricante da aeronave.

De acordo com o manual, o cockpit voice recorder (CVR) deve ser verificado a cada 150 horas de voo ou 24 meses, o que ocorrer primeiro. A Anac reiterou que o avião PR-AFA, modelo Cessna Aircraft 560XL, estava com a Inspeção Anual de Manutenção e o Certificado de Aeronavegabilidade válidos e que a última verificação anual completa das manutenções foi executada em fevereiro deste ano. "A aeronave de matrícula PR-AFA, modelo CESSNA AIRCRAFT 560XL, com capacidade para 12 pessoas, estava com o Certificado de Aeronavegabilidade em dia e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) válida. A última manutenção realizada foi em 14/02/2014, pela empresa JAPI Manutenção de Aeronaves Ltda., com sede na cidade de Jundiaí - SP, com resultado aeronavegável", afirma o comunicado da Anac.

O jato, fabricado em 2010, pertencia ao proprietário Cessna Finance Export Corporation e era operado pela empresa AF Andrade Empreendimento e Participações, por meio de arrendamento operacional (conhecido como leasing). Os negócios da Cessna no Brasil é gerenciado pela Tam. Ainda segundo a Anac, não há registro de solicitação de transferência operacional da aeronave, que estava autorizada a prestar serviços aéreos privados.

Sobre os pilotos

Os pilotos que conduziam a aeronave, o comandante Marcos Martins, de 42 anos, e Geraldo Magela Barbosa da Cunha, 44 anos, estavam com a licença e com as habilitações válidas, segundo a Anac. Os dois possuíam, no mínimo, 1.500 horas de voo, por possuírem licença de Piloto de Linha Aérea. E não há registro de acidentes anteriores envolvendo os nomes dos dois profissionais. 

Em nota, a Anac explicou como acontece o processo de habilitação de um piloto pelo órgão. "Para habilitar o piloto, devem ser atendidos os requisitos de idade, escolaridade, conhecimento, experiência, instrução de voo e aptidão psicofísica. Isso inclui simuladores e aulas práticas. Tais requisitos encontram-se detalhados nos RBAC 61 e RBAC 67. As condições psicofísicas dos pilotos são avaliadas e atestadas pelos médicos e clínicas credenciadas segundo o RBAC 67, com periodicidade variável, de acordo com cada licença. Com a comprovação da habilidade técnica, por meio do cumprimento dos requisitos mencionados, a ANAC emite as licenças e/ou habilitações e certifica o piloto para o mercado de trabalho", esclarece a nota.

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Tags: avião, Campos, eduardo, jato, morte, Santos

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