Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

País

Especialista: Cessna é tão seguro quanto Boeing; avião pode ter colidido com ave

Comandante avalia acidente que matou candidato à Presidência, Eduardo Campos

Jornal do Brasil

O comandante Luis Guilherme Andrade, presidente da entidade de Aviação Civil Fly Training Center, disse nesta quinta-feira (14/8) que o Cessna 560 XL é um avião executivo muito seguro, com equipamentos ultra modernos e digitais de navegação de voo. Em uma avaliação do acidente que matou o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, na manhã desta quarta (13), em Santos, litoral de São Paulo, Andrade cogitou algumas possibilidades que podem ter provocado a queda. Uma delas seria no momento em que a aeronave arremeteu e poderia ter atingido algo que estava à sua frente, como um urubu.

"Na região do Aeroporto de Santos há bastante aves e não descarto a possibilidade de o avião ter atingido uma e enfrentado problemas em decorrência disso", salientou o comandante. Andrade afirmou que esse modelo oferece segurança mesmo em condições meteorológicas difíceis, como neve e gelo. "Essa aeronave dá segurança e tem a performance de um Boeing ou Airbus, mesmo em mau tempo. Os riscos de enfrentar uma tempestade em um avião grande ou num Cessna é o mesmo. Mas ontem [quarta-feira, 13/8] não tivemos um registro de tempestade severa, apenas uma chuva moderada com baixa visibilidade", disse Andrade.

Segundo as explicações do comandante, o procedimento de arremeter é padrão e sempre calculado pelo piloto quando está próximo da aterrissagem. "O piloto prepara o avião para arremeter, se for necessário. Isso é algo normal e não representa qualquer perigo", destacou ele. A perícia na caixa preta do jatinho deve apontar os problemas que surgiram após os pilotos Marcos Martins e Geraldo Magela Barbosa da Cunha optarem por arremeter, de acordo com Andrade. Se o estudo do equipamento não for possível pela equipe Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da Aeronáutica, pelo fato de estar muito danificado, o passo seguinte deve ser encaminhar o equipamento para o seu fabricante nos Estado Unidos, que conta com um centro especializado para esses casos.     

Ainda sobre a aeronave Cessna 560 XL, o comandante comentou que a sua manutenção é muito cara e os critérios de revista são determinados pelos fabricantes. "Existem tipos de manutenção previstos por quem fabricou o avião e cada uma delas tem um preço distinto. Mas qualquer valor se referindo a um aparelho desse modelo é alto", ressaltou Andrade. O Cesnna usado pela equipe de Eduardo Campos pertencia à Cessna Finance Export Corporation, operada pela empresa  AF Andrade Empreendimentos e Participações e com representação comercial pela TAM Aviação Executiva. Em nota, a Tam informou que "somente se pronunciará  sobre o acidente com o avião prefixo PR-AFA após a conclusão das investigações pelos órgãos competentes". 

O comandante Andrade disse que o piloto Marcos Martins, com 20 anos de profissão, devia ter uma grande experiência na área da aviação civil. Ele comentou que essa grande experiência conta muito nos momentos de risco. Desde meados do ano passado, há a tentativa de aprovar na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) uma nova regulamentação destinada à chamada Aviação Geral, que engloba os voos comerciais e particulares, exigindo dos novos pilotos um tempo minimo em simulação de voo para que a sua documentação profissional seja liberação pelo órgão. "Essa norma ainda não foi aprovada, mas ela é muito importante para a segurança nos voos", disse o comandante.

Um outro fator que interfere no desempenho do piloto em voo particular foi abordado por Andrade. Segundo o comandante, algumas vezes o piloto pode sofrer o que eles chamam na profissão de "pressão de fator externo", que seria uma orientação dos donos das empresas de jatos executivos para o piloto tentar o máximo aterrissagens e decolagens mesmo em condições meteorológicas adversas. "Porém, somos treinados para dizer não. Isso pode acontecer com uma empresa particular e até comercial, mas o piloto tem que manter-se firme e negar um procedimento que ele avaliou que há riscos", disse Andrade. O piloto exemplificou com um caso muito comum na aviação, quando o comandante de uma aeronave recebe as informações da torre de comando da região em que vai aterrissar, mas durante o procedimento de aproximação da pista o tempo pode mudar e as decisões ficam a cargo dos pilotos. 

Tags: avião, Campos, cenipa, presidência, Santos

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