Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

País

Relator no Conselho de Ética pede cassação de André Vargas

Portal Terra

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética, apresentou na madrugada nesta quarta-feira voto em que recomenda a cassação do mandato do parlamentar, acusado de ligação com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal. O parecer ainda precisa ser votado no colegiado e, se aprovado, encaminhado ao plenário da Câmara.

Vargas renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara e deixou o PT depois de admitir ter viajado com a família nas férias, de Londrina (PR) para João Pessoa (PB), em um jatinho pago pelo doleiro. Ele também é suspeito de ter atuado junto ao Ministério da Saúde para garantir um contrato de interesse de Youssef, que foi preso pela Operação Lava Jato, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões em dez anos.

Na tarde desta terça-feira, o deputado André Vargas foi pela primeira vez ao Conselho de Ética, onde defendeu que Delgado fosse declarado suspeito, o que foi negado pelo colegiado. O parlamentar acusa o relator de apressar o processo e cercear o direito de defesa.

Após a apresentação do voto do relator, deputados pediram vista para ter mais tempo para analisar o processo. Dessa forma, a votação só deverá ocorrer no início de setembro, quando a Câmara terá outro período de esforço concentrado durante a campanha eleitoral.

Em seu voto, o relator citou uma série de mensagens trocadas por André Vargas e Alberto Youssef, interceptadas pela PF na Operação Lava Jato, para mostrar a proximidade e a troca de favores entre o parlamentar e o doleiro.

“O nível de intimidade de frequência com que André Vargas e Alberto Youssef falavam e se visitavam deixa claro que o episódio envolvendo a cessão da aeronave ou da 'suíte mais cara' do Blue Tree em Londrina não são datos isolados, mas consequencia de um relacionamento estreito e íntimo, que transbordava os limites da amizade pessoal para chegar à efetiva participação nos negócios ilícitos", disse o relator.

Segundo Júlio Delgado, a aceitação de presentes por autoridades só pode ocorrer em casos de reciprocidade em visitas internacionais. O avião pago pelo doleiro teria custado mais de R$ 105 mil.

Para o relator, André Vargas foi responsável por abrir portas ao doleiro em seu esquema delituoso na administração pública, ao ajudar a Labogen, de Youssef, a fechar uma parceria com o governo para produção de medicamentos. “O que se percebe das provas existentes nos autos é que o deputado André Vargas representava, perante a Administração Pública Federal, os interesses das empresas controladas por Alberto Youssef e seus testas-de-ferro. Ora intermediando reuniões, ora cobrando favores, ora abrindo portas", diz o voto.

Tags: CONGRESSO, deputado, doleiro, PT, youssef

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