Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País

Consórcio pede interdição de viaduto da Copa em Cuiabá 

Portal Terra

O Consócio VLT Cuiabá-Várzea Grande, responsável por 13 obras de mobilidade urbana projetadas para evitar congestionamentos na cidade durante a Copa do Mundo da Fifa 2014, pediu a suspensão do tráfego de veículos no Viaduto Jamil Boutros Nadaf, que está sendo chamado popularmente de Viaduto da Sefaz. Em visita de monitoramento da estrutura, entregue à população há seis meses, o próprio Consórcio encontrou duas fissuras “milimétricas” que geraram preocupação.

Conforme o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, não há risco de desabamento, a exemplo do que aconteceu, dia 22 de julho deste ano, em Belo Horizonte (MG). O viaduto Guararapes, que estava em construção na Avenida Pedro I também para facilitar o deslocamento de delegações e torcedores durante a Copa, dando acesso ao Aeroporto de Confins e ao Estádio Mineirão, ruiu. Duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas.

A decisão de pedir a suspensão do tráfego de veículos no Viaduto da Sefaz foi informada à Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa). O secretário da pasta, Maurício Guimarães, disse, por meio da Assessoria de Imprensa, que é melhor tomar essa medida preventiva e se for o caso consertar o problema do que expor a população a riscos, mesmo que mínimos.

Mediante a concordância da Secopa, o Consórcio encaminhou o projeto de interdição à Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (SMTU), de Cuiabá, que autorizou o fechamento o viaduto na noite dessa quarta-feira a partir de 20h30.

Por duas semanas, especialistas vão verificar qual o risco que as duas fissuras, da espessura de um grafite, pode representar para quem trafega na região do viaduto, que fica ao lado de um dos shoppings centers da capital e do Centro Político Administrativo (CPA), onde funcionam o Palácio do Governo e parte das secretarias de Estado.

O engenheiro civil, André Luiz Schuring, coordenador da câmara especializada de engenharia civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT) e que fez vistorias em obras da Copa, no período prévio ao mundial,  avaliou que é mesmo mais prudente interditar a via. “De acordo com a lei, se acontece algo pior, como um desabamento, quem responde é o engenheiro que tem a ART da obra, o executor e/ou o fiscalizador”. A ART ou Anotação de Responsabilidade Técnica, é uma certidão expedida pelo Crea, avalizando as condições do profissional em prestar o serviço.

“Não havíamos constatado problemas nesse viaduto, como foi o caso do viaduto da UFMT (próximo à Universidade Federal de Mato Grosso) e da trincheira em Várzea Grande (próxima ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon). Mas é que não houve agenda para essa obra, então ela ficou de fora da nossa visitação”, explica Schuring, se referindo ao acompanhamento das obras feito por uma comissão da Assembleia Legislativa, para constatar a qualidade dos empreendimentos, com a qual o Crea colaborou. “Nosso papel como entidade, é verificar exercício profissional e isso foi feito em todas as obras. Não temos outra fiscalização como atribuição, mas fomos como colaboradores”.

No período prévio à Copa, o Crea se posicionou publicamente criticando a qualidade das obras da Copa. “Mas fizemos isso a olhos nus, porque nunca tivemos acesso a nenhum projeto, exceto o projeto do viaduto da UFMT, para fazermos uma análise mais profunda e técnica dos empreendimentos”.

Conforme nota publicada no site da Secretaria de Estado de Comunicação de Mato Grosso, “todas as obras construídas pelo Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande passam por monitoramentos constantes, incluindo as que foram liberadas parcial ou totalmente pelo Governo de Mato Grosso. Em um dos monitoramentos, realizado no fim de julho, durante a manutenção nas juntas de dilatação do Viaduto Jamil Boutros Nadaf (Viaduto da Sefaz), foram constatadas fissuras milimétricas”.

A nota diz ainda que “seguindo procedimento padrão, optou-se pela suspensão do tráfego para que análises mais precisas sejam realizadas para determinar a origem das fissuras e avaliar eventual necessidade de medidas corretivas”.

Tags: infraestrutura, interdições, mt, Mundial, Obras

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