Jornal do Brasil

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

País

Acusado de fraude em licitação, Zelada diz não conhecer detalhes do processo

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Ao depor na CPI Mista da Petrobras, nesta quarta-feira (6), o ex-diretor da estatal Jorge Luiz Zelada não soube dar aos parlamentares detalhes do processo em que é acusado de fraude em licitação na Justiça do Rio de Janeiro. Apesar de réu e denunciado pelo Ministério Público fluminense, Zelada disse que ficou sabendo pela imprensa, ainda não foi citado e não conhece o teor completo das acusações:

"Tomei conhecimento da denúncia do MP pela imprensa e confirmei. Estamos no andamento desses assuntos... Não conheço o teor da denúncia e não recebi a citação ainda", justificou.

O MPRJ alega que Zelada e outros funcionários da Petrobras beneficiaram a Odebrecht num contrato de US$ 860 milhões para a execução de um grande projeto nas áreas de saúde, meio ambiente e segurança, conhecido como SMS. O ex-diretor negou que tivesse beneficiado a construtora na licitação.

"Ao processo licitatório foram anexados todos os pareceres técnicos. E a Odebrecht apresentou o menor preço. Jamais interferi em licitação para beneficiar quem quer que seja", disse.

Zelada disse ainda que a Petrobras se internacionalizou, e o passivo ambiental em plantas da empresa fora do Brasil era grande, daí a necessidade de se levar a excelência das ações em SMS para a área internacional.

"Foi feita uma análise detalhada dos preços dos serviços e só foi pago o realizado", afirmou.

Pasadena

O prejuízo sofrido pela Petrobras na compra da refinaria de Pasadena (EUA) da empresa belga Astra Oil dominou boa parte da reunião. Zelada negou ter participado da produção do resumo executivo que serviu de base para que o Conselho de Administração aprovasse a compra da unidade industrial. O resumo foi classificado de “falho” pela presidente Dilma Rousseff depois que as denúncias de corrupção vieram à tona pela imprensa.

"Esse resumo executivo já estava elaborado antes da minha entrada", disse.

Jorge Luiz Zelada já havia prestado depoimento à CPI do Senado Federal em 29 de maio, quando minimizou a importância das duas cláusulas omitidas no resumo executivo: Marlim e put option, dizendo que não eram “centrais para o negócio”. Desta vez, ele foi mais comedido e afirmou inicialmente que elas não lhe causaram estranheza. Ele só disse que não eram cláusulas centrais depois da insistência de alguns deputados.

Indagado sobre valores, o executivo evitou falar de números, alegando que não participou “de nenhum detalhe das negociações”. Disse apenas que, quando tomou conhecimento na época, a transação “fazia sentido”

"Quando eu entrei na diretoria internacional e fui tomando conhecimento dos diversos assuntos, o que me foi informado, e fazia sentido, é que o projeto Pasadena não previa apenas a compra de uma parte da refinaria. O projeto todo era transformá-la para que pudesse processar o petróleo pesado, principalmente de Marlim, que estava excedente naquela época. Isso é o que me foi relatado na época em que eu entrei. E nesse aspecto é um projeto que faz sentido", afirmou.

O ex-diretor acrescentou que a Astra é quem decidiu sair unilateralmente do negócio depois que a Petrobras optou por não comprar a outra metade do empreendimento.

"A Astra não ficou satisfeita com a decisão da Petrobras de não comprar e abandonou a gestão da refinaria. Optou por sair da sociedade. Unilateralmente. Isso foi muito preocupante porque gerir uma instalação industrial de um complexo de uma refinaria é uma coisa muito séria", explicou.

A Petrobras se tornou sócia da Astra Oil em 2006 ao adquirir metade da Pasadena Refining System Inc. Dois anos depois, após se desentender com o parceiro comercial, foi obrigada a adquirir a metade restante, num negócio que resultou em prejuízo à companhia brasileira.

A CPI Mista voltará a se reunir na próxima quarta-feira (13) para ouvir Nestor Cerveró, executivo que antecedeu Zelada à frente da diretoria internacional da Petrobras.

Agência Senado

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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