Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

País

SP: polícia prende professor suspeito de depredar agência bancária em protesto

Agência Brasil

Um professor de 30 anos foi preso na manhã de hoje (24) pela Polícia Civil de São Paulo suspeito de ter participado da depredação de uma agência bancária durante uma manifestação ocorrida no dia 19 de junho em São Paulo, convocada pelo Movimento Passe Livre (MPL). A agência depredada é de propriedade do Citibank e fica na Avenida Rebouças, na zona oeste da capital.

Segundo o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Wagner Giudice, o professor, que dá aulas de português e inglês na rede estadual, confessou ter depredado o banco. O docente não tinha antecedentes criminais e foi preso depois que foi expedido um mandado de prisão temporária dele, com prazo de cinco dias, por associação criminosa e dano qualificado. As penas podem atingir entre quatro e oito anos de reclusão. A polícia apresentou a jornalistas imagens que mostram uma pessoa, de costas, perto da agência bancária, pronta para arremessar algum objeto. “Ele [professor] viu as imagens e confirmou que era ele”, disse o delegado. Com suspeito, foram apreendidos uma calça, uma camisa xadrez e um casaco preto que teriam sido utilizados por ele no dia da depredação.

Perguntado por jornalistas por que o professor pode responder pelo crime de associação criminosa, o diretor do Deic respondeu: “Eles [diversos manifestantes, o que incluiria o professor] se associaram previamente, por meio de redes sociais ou telefones, para o cometimento de crimes”. Segundo o delegado, o investigado participou de várias manifestações em São Paulo. “Antes do cometimento do crime, eles se organizam, se associam e partem para a depredação. É só entrar na página dele [do professor] no Facebook. Eles sempre estão juntos em todos os lugares. Em todas as vezes em que eles estão juntos, há depredação. E nessa ele foi pego quebrando”, acrescentou o diretor do Deic. Giudice disse que o professor não admitiu adotar a tática Black Bloc nas manifestações.

A prisão foi criticada pelos advogados André Zanardo e Brenno Tardelli, que disseram não ter conseguido sequer acompanhar o depoimento do seu cliente à polícia. “Chegamos aqui [ao Deic] quando ele já estava sendo ouvido. Dissemos que, sem advogado não [era correto], e que ele seria ouvido na presença dos advogados. Mas, quando o encontramos, ele estava chorando e o delegado disse que ele estava confessando [o crime]. Pedimos para acompanhar, mas o delegado nos disse que aqui não iria acontecer isso”, reclamou Zanardo.

O advogado contou que a intenção da defesa era ouvir o professor reservadamente. "O advogado tem o direito de escutar o seu cliente de forma privada. Mas esse direito também foi negado, pois os policiais ficaram do lado. O delegado nos disse que ele estava sendo acusado por associação criminosa, mas não nos falou quem eram as pessoas [a quem ele estaria associado]”, disse Zanardo à Agência Brasil. O advogado contou à reportagem que tem uma gravação feita com o delegado, que será apresentada à Justiça, que comprova que eles foram impedidos de fazer a defesa.

Segundo o diretor do Deic, os advogados estiveram no local, mas não quiseram acompanhar o depoimento. “Eles puderam acompanhar o depoimento e o leram, não quiseram assinar e foram embora. Viram que ele declarou que tinha quebrado tudo e foram embora”, disse Giudice.

Os advogados informaram que pretendem buscar a nulidade do depoimento. “Ele [o professor] não pôde ter seu depoimento acompanhado pelos advogados desde o início e então nos retiramos da sala. Esse depoimento é completamente nulo e inválido e, se não foi possível defendê-lo na polícia, vamos fazer isso no Judiciário. Seja com habeas corpus ou reclamando da restrição do direito de defesa."

Após a entrevista coletiva, ocorrida na tarde de hoje, para explicar a prisão do docente, a imprensa pôde fazer imagens do preso, algemado, circulando pelo local, acompanhado sempre por um policial. A exibição do preso para a imprensa foi criticada pelos advogados. "Não há por que ele estar algemado. Ele não apresenta risco para a sociedade", disse Zanardo.

De acordo com o diretor do Deic, cinco pessoas que participaram de manifestações em São Paulo, incluindo o professor, foram presas pelo departamento este ano. “Não prendemos manifestantes, mas quem comete crime”, afirmou o delagado. Segundo ele, existem outros casos de pessoas que foram presas durante manifestações em São Paulo, mas em distritos de área, que não foram computados nessa relação. “Dos nossos, todos continuam presos”, relatou Giudice.

Tags: Atos, polícia, prisão, SP, vandalismo

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