Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

País

MTST consegue adiar reintegração de posse e deixa construtora em São Paulo

Agência Brasil

Após conseguirem, com a Polícia Militar, o adiamento de 15 dias da reintegração de posse da ocupação Portal do Morumbi, cerca de 130 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que ocupavam a sede da construtora Even, deixaram o local no início da tarde desta quinta-feira (17). Eles passaram a noite acampados na entrada do prédio, na Rua Hungria, no Jardim Europa, para pressionar a empresa, proprietária de terreno ocupado pelos sem-teto no Morumbi, a negociar a área de 60 mil metros quadrados. O MTST quer que sejam construídas moradias populares no local.

Representantes do movimento e da PM assinaram um documento que assegura o prazo para que a reintegração seja feita. De acordo com o major Ezequiel Morato, que participou da negociação, esse período foi combinado com o Judiciário. “Não vamos fazer nesse prazo. É o tempo que eles vão ter para recorrer da decisão”, explicou o policial.

Antes de deixar o local, os manifestantes bloquearam, por aproximadamente 40 minutos, a pista local da Marginal Pinheiros, em frente à construtora Even, na zona oeste. “Ganhamos um tempo para continuar a nossa luta. Pelo menos temos a garantia de que, nos próximos 15 dias, ela [a reintegração] não vai acontecer”, declarou Simone Sousa, uma das coordenadoras do MTST. Ela informou que a decisão de desmontar o acampamento foi tomada em assembleia pelos sem-teto e eles retornaram para a ocupação batizada de Portal do Morumbi.

A assessoria de imprensa da Even informou que a empresa é proprietária do terreno há três anos e já tem projetos para construção de um condomínio residencial no local. Também negou que haja dívidas fiscais do imóvel. Para a coordenadora do movimento, é preciso mudar a lógica que “quem é pobre tem que morar longe”. “Cada vez mais a gente é empurrado para bairros distantes. Se hoje eu demoro uma hora e meia para chegar ao trabalho, daqui a pouco vou levar duas horas. Nossa vida só piora desse jeito”, reclamou.

Tags: movimento, ocupação, SP, terreno, trabalhadores

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