Jornal do Brasil

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

País

CPMI da Petrobras aprova quebras de sigilo de Youssef e de ex-diretor

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras aprovou nesta quarta-feira, em votação simbólica, 54 requerimentos para convocação, entre outros, do juiz Sérgio Moro, do Paraná, responsável pelo processo da Operação Lava Jato; e de parentes do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, suspeito de desviar cerca de R$ 10 bilhões. Também foram aprovadas, por 16 votos, as quebras dos sigilos bancário, telefônico, fiscal e telemático (email) do doleiro Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa. Ambos foram presos pela Polícia Federal nas investigações da Lava Jato. A reunião foi encerrada logo em seguida. A próxima será na quarta-feira (23) da semana que vem, para ouvir o ex-diretor da área Internacional da empresa Nestor Cerveró.

Das cinco últimas reuniões administrativas da CPI, essa foi a primeira que atingiu o quórum mínimo de 17 parlamentares para votar os 396 requerimentos em pauta. Há cinco semanas, a comissão tentava analisar esses itens, mas sem sucesso.

“Se fôssemos na linha de aprovar todos os requerimentos que tratam da Petrobras, abriríamos a investigação de tal forma que seria impossível trabalhar”, disse o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), justificando a aprovação de apenas uma parte dos pedidos.

A estratégia de votação foi acertada em meia hora de reunião a portas fechadas entre o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), o relator e os líderes partidários antes do início dos trabalhos. Os parlamentares chegaram a um consenso para votar uma pauta proposta por Maia.

Outros 342 requerimentos ficaram para ser analisados posteriormente. Alguns parlamentares quiseram votar outros textos, mas acabaram voltando atrás. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tinha pedido a inclusão de novos requerimentos, mas aceitou votar em outra reunião.

Ponta do iceberg

O deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) criticou a não inclusão da convocação de outros dirigentes da estatal na lista do relator. “Youssef é uma pontinha do iceberg. Se vamos resolver só com o Youssef, e os doleiros e as mulheres do Youssef, isso não vai resolver”, reclamou. Segundo ele, ir atrás do doleiro e suas ligações é buscar apenas as consequências dos desvios de recursos na Petrobras.

Para o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE), não devem ser aprovados requerimentos além do estabelecido no acordo. “O ideal é que pudéssemos ser fieis ao que definimos na reunião. Isso faz com que a gente possa avançar”.

Agência Câmara

Tags: comissão, doleiros, inquérito, parlamentar, Petrobras

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