Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

País

Famílias retiradas de prédio no centro de SP vão para outras ocupações

Agência Brasil

As famílias que estão sendo retiradas de um prédio na Rua Santa Ifigênia, no centro da capital paulista, serão realocadas para outras ocupações também na região central, informou o movimento Luta por Moradia Digna (LMD). No local, a reintegração de posse, que ocorre desde as 7h é acompanhada por policiais militares. Não foi registrado confronto. Pelo menos sete caminhões foram disponibilizados para a retirada dos pertences dos moradores, que chegaram ao prédio há cerca de seis meses.

De acordo com Cristiane Mendes, uma das coordenadoras do grupo, o edifício de 12 andares está abandonado há pelo menos 15 anos. “Estão tirando a gente daqui e mudando o problema de lugar. É isso que acontece sempre, já estamos acostumados. A luta continua”, declarou. Segundo ela 215 famílias moram no lugar. “Aqui tem muita criança, são 78”, complementou. A Secretaria de Segurança Pública informou que, no local, há 282 moradores.

A ordem judicial para a desocupação foi expedida pelo juiz Sergio da Costa Leite, da 33ª Vara Cível do Foro Central, a pedido da Savoy Imobiliária e Construtora, dona do imóvel. A retirada estava prevista para ocorrer, inicialmente, no dia 28 de maio, mas foi adiada por 45 dias. Procurada pela Agência Brasil, a empresa não se pronunciou até a publicação da matéria.

A auxiliar de limpeza Ana Rosemari de Araújo, 49 anos, estava no prédio há quatro meses. “Nunca morei em ocupação. Vim por necessidade mesmo”, declarou. Há dois dias, ela teve que deixar a ocupação por ter discutido com um dos coordenadores. “Agora tive que voltar para pegar as minhas coisas e o meu marido, que tinha ficado aí. Acho que vou para a casa da minha filha em Perus”, relatou. Ela disse que contribui com R$ 150 por mês. A coordenadora da LMD destacou que esse valor depende do espaço ocupado pela família e que os recursos são para pagar advogados.

A mãe de um dos moradores, Dilma Silva, 58 anos, chegou nervosa ao local. “Vi que estavam desocupando e fiquei preocupada com o meu filho. Ele está aí com a mulher e dois filhos”, declarou. Ela explica que o filho é catador e mal consegue alimentar a família. “Todo dia trago o café e o almoço. Ele só come quando consegue algum dinheiro na rua, catando”, relatou. Após conseguir autorização para entrar no prédio, ela conferiu que a família estava bem.

A Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditaram uma quadra da Rua Santa Ifigênia entre a Rua Cásper Líbero e a Avenida Ipiranga. Conhecida pelo comércio de itens eletrônicos, muitos lojistas e funcionários tiveram que esperar de fora do bloqueio. O comerciante Eder Leal, proprietário de uma loja de videogames, aguardava, por volta das 9h30, para saber se poderia iniciar o expediente. “Se durar o dia todo, vai ser um dia de prejuízo”, disse. Por volta das 10h30, mais um trecho da rua foi liberado, mas a maior parte do comércio permaneceu fechada.

Tags: luta por moradia digna, PM, reintegração de posse, santa ifigênia, são paulo

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