Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

País

Dono da Labogen nega que Youssef seja sócio da empresa

Agência Brasil

Um dos sócios do laboratório Labogen Leonardo Meirelles disse hoje (2), em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, que Alberto Youssef, preso durante a Operação Lava Jato, não tem participação societária na empresa. Ele admitiu, porém, que o doleiro investiu R$ 3 milhões, no período de três anos, como um dos investidores na construção da nova planta da Labogen, concluída em fevereiro deste ano.

“Youssef nunca foi meu sócio e não é meu sócio”, destacou. Meirelles admitiu ainda que, entre 2009 e 2011, o doleiro usou a conta do laboratório para operações com empresas estrangeiras. Ele assumiu também que Youssef recebia comissão equivalente a 1% dos negócios fechados. A declaração foi dada alguns minutos depois de o sócio ter declarado que a empresa ficou fora de atividade entre 2008 e 2010. “Fiquei sem atividade, mas tinha outros negócios.”

Segundo ele, a empresa mantinha operações de exportações mesmo antes de conhecer Youssef. “Importava insumo farmacêutico. Importei e vendi para terceiros”, explicou. “O conheço [Youssef] há quatro anos e ele sabia desse projeto e estava em busca de investidores e em determinado momento nos apresentou um grupo de investimentos.”

Ao ser perguntado pelo relator do processo que investiga a relação entre o deputado André Vargas (sem partido-PR) e Youssef, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), sobre o objetivo do doleiro no uso da conta da empresa, Meirelles se recusou a responder. Orientado pelo advogado, o sócio da Labogen não assinou o termo de compromisso que o obrigava a responder todas as perguntas feitas no colegiado antes do depoimento começar.

Meirelles é réu em oito processos na Justiça de Curitiba a respeito dos assuntos relacionados à representação analisada no Conselho de Ética da Câmara. O Conselho de Gestão da Labogen se reunia todas as segundas-feiras. Meirelles afirmou que Youssef participou de alguns encontros, mas apenas como investidor.

A Polícia Federal (PF) investiga se o laboratório é uma empresa de fachada do doleiro. Vargas é acusado de atuar em favor do Labogen na assinatura de um contrato de cinco anos com o Ministério da Saúde que previa investimento de mais de R$ 130 milhões."Nunca houve acerto financeiro com o parlamentar", assegurou Meirelles, afastando as suspeitas de que Vargas se beneficiou do negócio.

O dono da empresa reconheceu, porém, que Vargas intermediou o contato da Labogen com o Ministério da Saúde. “A tratativa foi com deputado para quem coloquei que era um bom projeto para o país e que tínhamos condições de fazer dentro do prazo e fomos encaminhados para Secretaria de Insumos Estratégicos do ministério”, explicou.

Segundo ele, o contato com o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, e o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, só ocorreu durante a assinatura do contrato. Os ajustes, segundo Meirelles, foram tratados por Marcos Moura, contratado em dezembro de 2013 como assessor de Assuntos Institucionais da pasta, em Brasília.

Meirelles informou que a Labogen é uma empresa operacional atualmente, com um passivo de R$ 24 milhões. A dívida da empresa quando foi comprada por Meirelles, em maio de 2008, chegava a R$ 54 milhões.

Tags: comissão, depoimento, doleiro, ética, youssef

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