Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

País

Vereadores devem votar hoje Plano Diretor de São Paulo

Agência Brasil

Já dura quatro dias o acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em frente à Câmara Municipal de São Paulo, no centro da capital, para pressionar os vereadores para a votação do Plano Diretor Estratégico (PDE). A expectativa do presidente da Casa, vereador José Américo (PT), é que a lei seja votada ainda hoje (27), em uma sessão que pode entrar pela madrugada de sábado. Enquanto as discussões estiverem ocorrendo no plenário, o movimento planeja reunir 5 mil pessoas nesta tarde, além das 500 que estão acampadas.

Um dos coordenadores do MTST, Guilherme Boulos, destaca que, além de garantir que as quase 3 mil famílias da ocupação Copa do Povo, em Itaquera, fossem contempladas, a mobilização ocorre para pressionar os vereadores a aprovarem o PDE o quanto antes. “Não é um plano para o MTST, não é dos sem-teto, mas é um plano que traz freios para especulação imobiliária e traz instrumentos importantes para a moradia popular na cidade”, destacou. Segundo ele, os sem-teto irão se manter na porta da Câmara até que a lei seja aprovada.

Boulos esteve reunido no início da tarde com o presidente da Câmara para saber como está o clima entre os vereadores para a votação. “Queremos saber se o que foi pacificado, discutido, será cumprido. A avaliação dele é que sim, que a votação deve ocorrer hoje”, disse à Agência Brasil. Esse projeto relacionado à ocupação é uma proposta de consenso para contemplar, com projeto de moradias populares, as famílias que ocuparam o terreno abandonado em Itaquera.

O vereador Police Neto (PSD), autor de projeto de lei que prevê habitações de interesse social em áreas vazias da cidade, informou que foi apresentado ontem (26) um substitutivo para incluir a área da Copa do Povo nessa proposta. Esse projeto está sendo debatido em audiência pública neste momento na Câmara. “Incluímos os 150 mil metros quadrados de um terreno em Itaquera. Fizemos o aproveitamento de ZPI [Zona Predominantemente Industrial] para um empreendimento habitacional de interesse social”, apresentou o vereador durante a audiência.

Apesar de concordar com a inclusão das áreas de ZPI nesse projeto, o MTST discorda de que a demanda habitacional já esteja apontada na lei. Police Neto incluiu no projeto que devem ser contempladas apenas pessoas inscritas no cadastro da prefeitura. “Isso não deve ficar restrito a um grupo que por algum motivo consegue relação com governos, o que muitos movimentos sociais não têm”, declarou Boulos. Ele destacou que não há interesse do MTST em “furar fila” no atendimento da demanda por moradia popular, mas ressaltou que é preciso “resguardar também a possibilidade de que as casas sejam feitas pela modalidade Minha Casa, Minha Vida – Entidades”, argumentou.

Tags: câmara, invasão, mtst, vereadores, votações

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