Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

País

Gabrielli repete Graça Foster e diz que compra da Pasadena foi bom negócio

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Em audiência na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli disse que sua defesa da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, não é diferente das afirmações feitas pela presidente Graça Foster. "Eu digo a mesma coisa, foi um bom negócio na época e hoje em dia não é. Essa diferença é uma boa retórica política, mas não na realidade", afirmou ao líder do Solidariedade, deputado Fernando Francischini (PR)

Gabrielli também disse que o seu primo José Orlando Azevedo, à época da aquisição de Pasadena presidente da Petrobras América, não conduziu o processo da compra da refinaria nos Estados Unidos. “É um erro dizer que Orlando Azevedo conduziu o processo de Pasadena. Ele já era gerente-geral, entrou por concurso em 1978, era um técnico de carreira”, afirmou. Azevedo presidiu a Petrobras América entre 2008 e 2012, período da disputa judicial que culminou com o pagamento, pela Petrobras, de mais US$ 820,5 milhões ao grupo belga Astra Oil.

O ex-presidente da estatal voltou a afirmar que não houve ilegalidade na aquisição de Pasadena por não haver no resumo analisado pelo conselho de administração da estatal as cláusulas put-option (de saída de uma das sócias) e marlin, de rentabilidade. “Não tem discussão sobre irregularidade ou ilegalidade”, defendeu.

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) criticou a compra da refinaria por estar em desacordo com o estatuto da Petrobras, que prevê a instrução por parecer jurídico de tudo que é analisado pelo conselho de administração. “O senhor votou como manda o estatuto da Petrobras ou a partir de um parecer técnica e juridicamente falho, como a presidente da República falou?”, questionou. O parecer jurídico, com as cláusulas, não foi analisado pelo conselho de administração, presidido por Dilma Rousseff na época de aquisição de Pasadena.

Sérgio Gabrielli também criticou as informações veiculadas na imprensa sobre a compra de Pasadena. Ele questionou o custo de 42,5 milhões de dólares da compra da refinaria pela empresa belga Astra Oil, em 2004, pela Crown. “Essa é uma informação equivocada, falseadora e que não considera a realidade do mercado”, disse. Ele afirmou que os custos da aquisição chegaram a 360 milhões de dólares, ao considerar valores com aquisição de estoques e de investimentos feitos pela Astra. Ele também afirmou que a compra de Pasadena foi “barata” ao considerar a capacidade de refino de 100 mil barris ao dia. “O preço pela capacidade foi de 5.540 dólares para capacidade de refino, pouco mais da metade do preço das refinarias compradas nos EUA”, disse.

Gabrielli afirmou ainda que o valor total da compra chegou a 1,25 bilhão de dólares ao somar o valor da comercializadora de derivados de petróleo e custas judiciais. “Compramos uma refinaria com capacidade de refino barata”, disse.

A atual presidente da estatal, Graça Foster, admitiu que houve um prejuízo de 530 milhões de dólares na compra de Pasadena no “teste do impairment” – conceito contábil que define a redução do valor recuperável de ativos –, que pode ser revertido "total ou parcialmente".

O relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), falou que fará suas perguntas depois dos demais parlamentares. Ele tomou a decisão depois de ter sido criticado por deputados da oposição de ter demorado mais de duas horas questionando Graça Foster há duas semanas.

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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