Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País

Censo do CNJ: 64% dos magistrados são homens

Apenas 1,4% deles se autodeclararam negros

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

A magistratura brasileira é composta majoritariamente por homens (64%), mas apenas 1,4% dos juízes se autodeclararam negros, de acordo com os números preliminares do Censo dos Magistrados, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, e divulgados nesta segunda-feira (16/6). Os homens representam 82% dos ministros dos tribunais superiores. O perfil básico do magistrado brasileiro é homem, branco, casado e heterossexual. Um dos motivos da realização do censo foi embasar a discussão no CNJ sobre adoção de cotas para o ingresso na magistratura.

Realizado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ/CNJ) entre 4 de novembro e 20 de dezembro de 2013, o levantamento também mostra que a maioria da magistratura é casada ou mantém união estável (80%) e tem filhos (76%). A idade média de juízes, desembargadores e ministros é de 45 anos. Na Justiça Federal estão os juízes mais jovens, com 42 anos, em média. Em geral, a carreira dos magistrados começa aos 31,6 anos de idade, enquanto a das magistradas começa aos 30,7 anos.

Em relação à composição étnico-racial da carreira, 84,5% dos juízes, desembargadores e ministros declararam serem. Apenas 14% se consideram "pardos", 1,4%, "negros" e 0,1%, indígenas. Segundo o censo, há apenas 91 deficientes no universo da magistratura, estimado em pouco mais de 17 mil pessoas, segundo o anuário estatístico do CNJ Justiça em Números, elaborado com base no ano de 2012.

A jornada de trabalho diária dos juízes é, em média, de 9 horas e 18 minutos. Os juízes em início de carreira (substitutos) têm a maior carga horária de trabalho, com 9 horas e 37 minutos. Além do trabalho jurisdicional, 14% dos magistrados também realizam atividades docentes - 63% deles informaram possuir pós-graduação.Para o coordenador do censo, conselheiro Paulo Teixeira, trata-se da primeira pesquisa aberta aos magistrados de todo o país. "Os resultados são alvissareiros, mesmo comparando-os a pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América, Inglaterra e Canadá. A diferença é que, nesses países, as pesquisas são periódicas e realizadas há muitos anos", comentou o conselheiro.

O censo pode ser acessado no site do CNJ (www.cnj.jus.br/censo).

Tags: Conselho, justiça, nacional, negros, pesquisa

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