Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

País

AL: PP lança Biu de Lira, que é da base aliada mas apoia Campos

Portal Terra

Com críticas à presidente Dilma Rousseff – mesmo sendo da base aliada do Palácio do Planalto – e apoiando o ex-governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República, o PP lançou em Alagoas o senador Benedito de Lira ao governo do Estado em convenção modesta (na sede do próprio partido, no bairro de Jatiúca, na capital) e sem o nome do vice. 

Biu de Lira, como é conhecido, indicou o nome de Gilberto Occhi para ministro das Cidades. Em Alagoas, o PP é "dono" de 2 mil empreendimentos (só do Ministério das Cidades) que somam R$ 9,8 bilhões. Todos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2.

“Por diversas vezes votei no Lula e também na Dilma. Apoiei, fiz campanha e quando precisei fui colocado de lado e não fui ouvido. Estou junto com o Eduardo Campos (PSB) e digo que um dos princípios dessa coligação formada por partidos do bem é cuidar das pessoas", disse Biu de Lira.

Capitaneados pelo PP, outros nove partidos apoiam Campos: PR, PSB, PPS, PSDC, PSL, Solidariedade, PRP, PSL e PSC.

Apesar de não falar publicamente, os aliados do senador dizem que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só darão apoio a um palanque em Alagoas: do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e do senador Fernando Collor (PTB). O deputado federal Renan Filho (PMDB) será lançado ao governo e seu vice será o ex-ministro da Integração Nacional da era Fernando Henrique Cardoso Luciano Barbosa (PMDB).  

O Palácio do Planalto tentou, mas não conseguiu, fazer Biu desistir de disputar o governo e apoiar Renan Filho.

Nas duas pesquisas do Ibope, Biu de Lira aparece em segundo colocado. Renan Filho está em primeiro lugar. O senador do PP e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) anunciaram rompimento político mês passado. Mas todos os cargos na administração estadual foram mantidos. 

A proposta dos aliados do governador é uma "aliança branca" (não oficial) com o senador, já que Vilela – o único governador tucano no Nordeste – não consegue alavancar os votos do seu sucessor na administração estadual: o procurador de Justiça, Eduardo Tavares (PSDB), que tem 4% das intenções de voto, de acordo com o Ibope.  

Além disso, o suplente de Biu, o usineiro Givago Tenório (PP), é amigo pessoal do governador e sobrinho do cunhado de Vilela, o também usineiro João Tenório. Benedito no governo garante quatro anos, de mandato, de Givago, ao Senado Federal.

Filho de senador é suspeito de envolvimento em crimes Ao mesmo tempo, na convenção estadual que definiu os candidatos a governador, deputados federais, estaduais e o candidato apoiado ao Senado, o PP lançou discretamente a candidatura à reeleição do deputado federal Arthur Lira (PP), filho do senador e alvo de diversas acusações.

Uma delas ocorreu após um servidor da Câmara dos Deputados ser detido pela Polícia Federal, no Aeroporto de Congonhas (São Paulo), por levar uma quantia de dinheiro considerada suspeita, com passagens pagas pelo deputado federal – então líder do PP na Câmara. As investigações estão no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello porque Arthur tem foro por prerrogativa de função (o antigo foro privilegiado). O ministro deve decidir pela abertura (ou não) de processo criminal.

Lira responde ainda a outra acusação: agredir a ex-mulher a socos e chutes durante 40 minutos. Em 5 de dezembro do ano passado, o STF acatou a abertura de processo criminal.

Ele também foi indiciado por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional. Arthur Lira, segundo investigações da Polícia Federal, integrou esquema que desviou R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa. Ele foi condenado em 1ª instância.

Tags: alagoas, arthur lira, biu de lira, Eduardo Campos, eleição, Governador, investigação, PF, PP

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