Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

País

MPF defende "mudança de paradigma" na demarcação de terras indígenas

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

O subprocurador-geral da República Eugênio Aragão defendeu - em audiência pública promovida por comissão especial da Câmara dos Deputados - "uma mudança de paradigma" na política brasileira para a demarcação de terras indígenas". No entanto, ele não se mostrou favorável à mudança constante da proposta de emenda constitucional (PEC 215) segundo a qual passaria para o Congresso a competência de aprovar a demarcação de terras tradicionalmente ocupadas por indígenas, com a ratificação das já homologadas. Desde a promulgação da Constituição de 1988 esta atribuição é do Executivo.

Na audiência pública, Eugênio Aragão disse que o modelo constitucional atual, focado apenas na população indígena, apresenta sinais de esgotamento. "Quando nos propomos a resolver os problemas dos povos indígenas, não podemos deixar de olhar para o lado, e ver quais são as circunstâncias dos demais atores envolvidos, como a população local, o produtor rural e o governo do município. Precisamos de uma postura holística", afirmou.

Momento de impasse

O subprocurador-geral da República acha que a proposta deve ser vista dentro de um contexto maior: "Estamos num momento de impasse na consecução da política indígena. Mesmo quando o Poder Executivo consegue promover a demarcação, a reação imediata é a judicialização do ato administrativo. Quem sofre com isso é a população indígena, e também os produtores e os municípios".

Eugênio Aragão elencou um conjunto de ações que considera necessárias para se pacificar áreas hoje conflituosas, principalmente em estados como Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. A seu ver, é necessário que se permita, juridicamente, a compra de terras indígenas, ao invés da desapropriação por interesse social: "É algo que, financeiramente, custa caro, mas precisamos que o dono da terra saia feliz". Além disso, também é preciso que o Estado ofereça capacitação técnica aos pequenos produtores, "para que possam investir bem esse dinheiro".

Ao município, conforme Aragão, deve ser destinado um fundo federal capaz de compensar, por tempo determinado, a perda de arrecadação que terá, a fim de que sejam mantidos investimentos em saúde, educação e mobilidade urbana. Já aos indígenas, não basta a terra: "São necessários programas que transformem sua economia em algo sustentável, já que, afinal, a população indígena é a primeira preocupação".

A PEC 215/2000 está em final de tramitação na Câmara dos Deputados. De acordo com a regra constitucional, terá de ser discutida e votada em cada Casa do Congresso em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros

 

 

Tags: ações, federal, índios, Ministério, público

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