Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

País

'The Economist': "Brasil antes da Copa do Mundo - tráfego e temperamentos"

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Às vésperas da Copa do Mundo, o jornal inglês The Economist publicou neste terça-feira (10) uma reportagem com duras críticas ao Brasil. O texto começa com uma frase categórica: “Uma vez que você chega ao Brasil, começa a perder tempo”. O jornalista, então, conta a experiência de um empresário americano que tem um restaurante em São Paulo. Identificado como Blake Watkinks, o homem teria esperado por 15 minutos na fila do táxi, no aeroporto de Guarulhos. 

A publicação segue falando sobre a dificuldade de conseguir táxis na saída do aeroporto de Guarulhos. Segundo a apuração do jornal, turistas chegaram a ficar duas horas e meia esperando por um carro que estivesse livre. A reportagem, então, afirma que, uma das razões para essa demora, é o monopólio da única empresa na região do aeroporto. Assim, táxis que circulam normalmente pela cidade, não podem buscar passageiros no local, apenas deixá-los. Por isso, saem de lá vazios, conforme afirma o texto.

Reportagem do The Economist faz duras críticas ao Brasil
Reportagem do The Economist faz duras críticas ao Brasil

A matéria segue criticando a situação dos transportes em São Paulo. Ao dizer que a solução para as filas de táxi seria que outras empresas pudessem pegar e levar passageiros, o jornal ironiza dizendo que não há restrições ao que chama de “ônibus estranhos”. Em seguida, a publicação afirma que “a esperança” era um trem, que ligaria o aeroporto à cidade e deveria ficar pronto até o Mundial. O texto, então, diz que a obra não foi entregue e afirma que apenas 35 das promessas de mudanças dos sistemas urbanos de mobilidade visando a Copa foram cumpridas em todo o país. O jornal diz que, no Rio de Janeiro, que também receberá estrangeiros, a situação não é melhor.

Nesse ponto, o The Economist fala sobre a greve dos metroviários na capital paulista. De acordo com o jornal, “as coisas em São Paulo foram agravadas pela greve”. A matéria diz que a paralisação afetou a vida dos paulistas e também o trânsito, causando “muito mais engarrafamentos em ruas já congestionadas”. Em seguida a matéria diz que “a multidão infeliz de Guarulhos” foi atingida duplamente pela greve. Primeiro pelas filas formadas nos pontos de táxi e segundo pelo congestionamento causado pela greve. A apuração do jornal inglês diz que, trajetos realizados em trinta minutos levaram cinco vezes mais tempo para serem concluídos. O texto diz que a greve foi suspensa na terça e quarta-feira, “mas ainda pode retornar a tempo de interromper o jogo de abertura entre Brasil e Croácia”.

A reportagem afirma também que, com essa situação, “não é de se admirar que os brasileiros estejam mal humorados”. Citando uma pesquisa do Pew Research Centre, o jornal diz que 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com os rumos do país, mostrando um aumento de 55% depois dos protestos que tomaram conta do país. Ainda segundo a pesquisa, a publicação diz que apenas 48% dos brasileiros apoiam a realização da Copa do Mundo, uma queda de 79% em relação ao período em que o país foi escolhido como sede do evento, em 2007. O The Economist lembra que, nas Copas do Mundo passadas, as ruas do país costumavam estar enfeitadas para o evento, mas, esse ano, a maioria delas não está.

O jornal fala ainda que empresas brasileiras estão evitando a marca da Copa do Mundo em suas campanhas de marketing e que outdoors nas estradas raramente fazem alusão ao evento. Ainda de acordo com a matéria, os Estados Unidos parecem mais animados que o Brasil.

Finalizando a reportagem, o The Economist diz que “o mal humor pode muito vem evaporar de uma vez quando começar o torneiro”. O jornal lembra que as pessoas que moram no Brasil não conhecidas no mundo inteiro como “as mais felizes da Terra” e que o sucesso previsível da Seleção Brasileira poderia “trazer de volta a alegria dos brasileiros”. 

Nos comentários publicados por internautas no site do jornal, as críticas ao Brasil continuam. Um leitor identificado como Jonas BsAs diz: “Eu só posso imaginar o que vai acontecer durante os Jogos Olímpicos no Rio em 2016. Ordem e Progresso?”. Outro, que assina como guest-slwmmis, escreve que “O Brasil é um país realmente confuso; violento, corrupto e caro”. Kenny Parker, outro leitor do jornal, avalia: “Eu nunca fui ao Brasil, então eu não sou nenhum especialista, mas estou ciente da ineficácia do governo brasileiro. É uma pena que eles não foram capazes de terminar a infra-estrutura necessária para facilitar as visitas de todo o mundo. Se eles tivessem feito isso, a facilidade com que os visitantes podem viajar em torno da nação teria levado a benefícios econômicos muito maiores”.

Tags: Copa, Críticas, imprensa, internacional, mundia, Rio, são paulo, turistas

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