Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

País

Foster reafirma que compra de Pasadena 'não foi bom negócio'

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A presidente da Petrobras, Graça Foster, voltou a afirmar nesta quarta-feira que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, não foi um bom negócio para a estatal brasileira. Segundo ela, foi um empreendimento com "baixo retorno", apesar da melhoria de desempenho da planta industrial.

"Quando olhamos o conjunto, a Petrobras considera que não foi um bom negócio com as condições atuais. Hoje, como se apresentou depois da crise econômica [de 2008], não é um negócio de grande atratividade. É de baixo retorno, mesmo olhando o desempenho recente da refinaria", afirmou.

A compra da unidade de refino da belga Astra Oil deu prejuízo à Petrobras e está sob investigação. Graça Foster declarou que a estatal tem atendido todas as dúvidas e requerimentos de informações dos órgãos de controle, como Ministério Público, Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria Geral (CGU).

A executiva reafirmou a importância de duas cláusulas que foram omitidas do resumo-executivo que serviu de base para a negociação. As cláusula em questão são a Put option e Marlim. A primeira determinava que, em caso de desacordo entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. A segunda garantia à Astra Oil, sócia da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano.

A posição da presidente vai de encontro à opinião do autor do resumo-executivo, ex-diretor da companhia Nestor Cerveró, que disse à CPI que funciona exclusivamente no Senado tratar-se de cláusulas sem relevância.

Conforme Graça Foster, o valor efetivamente desembolsado pela Petrobras no negócio foi de US$ 1,24 bilhão, incluindo a estrutura física da refinaria, uma comercializadora de derivados e os custos tributários e judiciais após o fim da sociedade com a Astra Oil.

Ao dar explicações sobre denúncias de pagamento de propina de funcionários da Petrobras à holandesa SBM Offshore, Graça Foster informou aos parlamentares que a comissão interna de investigação não encontrou indícios de irregularidades nos contratos com a empresa.

A SBM fornece navios-plataformas e tem contratos com a estatal brasileira que somam US$ 27 bilhões. Segundo Graça Foster, a Petrobras tem 23 plataformas alugadas, oito delas da SBM Offshore. Ela ressaltou também que a companhia tem colaborado com as fiscalizações e investigações feitas pelos órgãos federais.

A executiva também falou sobre segurança e disse que 2013 foi o melhor ano histórico da companhia em relação à segurança e ao meio ambiente, com redução de 52% no volume de vazamento de óleo e derivados.

"Temos investido no aumento da eficiência operacional. Nos últimos dois anos foram mais de US$ 2 bilhões", afirmou.

Graça Foster passou, e muito, dos 20 minutos iniciais concedidos pelo presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e ouviu reclamações de deputados da oposição, que queriam mais tempo para fazerem suas perguntas. A reunião da comissão de inquérito foi aberta às 14h30 e o depoimento começou às 14h50.

Presidente rebate ex-diretor da Petrobras sobre custos de refinaria em Pernambuco

Graça Foster rebateu a crítica de que os cálculos dos custos da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, eram “conta de padeiro”, como disse o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. “Não concordo que possamos atribuir à engenharia da Petrobras essa condição”, afirmou, durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncias contra a estatal.

Costa afirmou em entrevista que a Petrobras fez "conta de padeiro" para aprovar a construção da refinaria. Ele ficou dois meses preso, até 19 de maio, por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões, investigado na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Hoje, voltou a ser preso, no Rio, por decisão de juiz do Paraná que aceitou alegação do Ministério Público Federal de que havia risco de que Costa fugisse do País.

Graça Foster lembrou que a Petrobras teve de construir mais do que o parque de refino, pagando também para construir trechos do porto de Suape e rodovias até Abreu e Lima. E isso teria imposto custos adicionais à refinaria, orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares e atualmente em 18,5 bilhões de dólares.

Pizza

O líder do SD, deputado Fernando Francischini (PR), levou uma pizza à reunião da CPMI para protestar contra as perguntas do relator, deputado Marco Maia (PT-RS), à presidente da estatal. Três deputados também comeram a pizza “sabor petróleo”, como foi escrito na caixa, em sinal de protesto. “Ele está repetindo perguntas e procrastinando”, disse Francischini, em relação ao relator.

Com  Agência Senado 

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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