Jornal do Brasil

Sábado, 29 de Novembro de 2014

País

Ex-diretor critica imprensa e diz que não há organização criminosa na Petrobras

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Ao abrir seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento da empresa Paulo Roberto da Costa criticou a imprensa, que, segundo ele, publicou fatos irreais, sem lhe conceder o direito de defesa nos 59 dias em que esteve preso. Disse também que a petrolífera brasileira é uma empresa séria e competente:

"Fiquei esse tempo recluso e muita coisa foi dita de forma antiética. Repudio com veemência a acusação de que a Petrobras é dominada por organização criminosa. A Petrobras não é nada disso que está se falando. É uma empresa séria e competente", afirmou.

Segundo Costa, "as informações sem fundamento, colocaram uma pedra" em cima de sua carreira.

"A imprensa publicou dados sem fundamento. Isso pôs uma pedra em cima da minha carreira. Virei diretor depois de 27 anos de casa. Não caí de para-quedas. Conseguiram neste tempo colocar minha figura e a da minha família numa posição delicada. Trinta e cinco anos não se jogam na lata do lixo como jogaram. Tenho família e nome a zelar", ressaltou.

Paulo Roberto Costa em depoimento à CPI da Petrobras
Paulo Roberto Costa em depoimento à CPI da Petrobras

A exemplo de outros executivos que já depuseram na CPI da Petrobras, Paulo Roberto confirmou que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, era necessária e foi um bom negócio na época da realização, em 2006. "Naquele momento era um bom negócio. Ninguém coloca petróleo cru na indústria, no carro ou no avião. Ter refinaria é algo importante e estratégico", explicou.

Paulo Roberto Costa, que chegou a ser preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, negou participação no processo de negociação para a compra da refinaria no Texas. O ex-diretor disse apenas ter indicado técnicos para a área operacional da unidade industrial.

Da mesma forma que havia dito Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional, Paulo Roberto também considerou as cláusulas put option e Marlim irrelevantes para o fechamento do negócio. A primeira determinava que, em caso de desacordo entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. A segunda garantia à Astra Oil, sócia da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano. As duas cláusulas foram excluídas do documento que serviu de base para que o Conselho Administrativo da empresa, presidido pela então ministra Dilma Rousseff, autorizasse a compra. À CPI, a atual presidente Graça Foster disse que se tratam de "cláusulas extremamente importantes".

Ao dar explicações sobre denúncias de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, Paulo Roberto da Costa disse que a empresa errou ao divulgar dados preliminares relativos ao custo do empreendimento. A estatal informou em 2005 que a unidade industrial custaria US$ 2,5 bilhões. "Esse dado era preliminar. A Petrobras errou ao informar esse número, que era muito preliminar, não podia ter sido divulgado", afirmou.

Segundo Paulo Roberto, quando o número foi divulgado, não havia ainda o projeto da refinaria, tampouco definições sobre processos licitatórios. "Não houve má-fé. Houve o erro de divulgar um dado extremamente preliminar. Um dado divulgado na hora errada e de forma errada", afirmou.

O ex-diretor da estatal admitiu que conhecia Alberto Youssef, mas não sabia que ele era doleiro. Costa, disse apenas saber que Youssef havia “tido um problema em 2005?, ligado a um processo do Banestado. Quando o conheceu, afirmou, o doleiro já tinha outros investimentos na área hoteleira. Ambos foram presos pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que desarticulou uma quadrilha especializada em corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Paulo Roberto Costa admitiu também que, embora não tivesse formalizado um contrato, prestou um serviço de consultoria ao doleiro e recebeu como pagamento um carro no valor de R$ 250 mil, mais R$ 50 mil pela blindagem. Ele disse não ver nenhum problema nesta forma de pagamento:

"Não vejo nada de errado nisso. Não há contrato fechado, mas efetuei o trabalho para ele. Posso comprovar isso", afirmou.

Tags: brasil, comissão, estatal, investigação, Petrobras

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