Jornal do Brasil

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

País

Comitê Popular da Copa inaugura atividades paralelas ao torneio nesta terça

Aula pública discutirá violência policial e criminalização de movimentos sociais, entre outros temas

Jornal do BrasilAna Luiza Albuquerque*

O Comitê Popular da Copa de São Paulo inaugura nesta terça-feira (10), às 17h, o calendário de atividades paralelas à Copa do Mundo. O ato chama-se "Copa das Tropas" e será formado pela articulação de movimentos sociais, coletivos e militantes que desde 2011 questionam e resistem aos impactos negativos do megaevento no país. O Congresso da Fifa também acontece hoje na Zona Sul de São Paulo, com a reunião de 209 federações.

"Este é o nosso congresso, popular e aberto, para todos que quiserem participar", esclarece Nathalia Siufi, organizadora do Comitê Popular. "Vamos tratar de temas que para nós são mais complicados e urgentes, como a questão da desmilitarização da polícia, a criminalização dos movimentos sociais e a violência policial, que é legitimada nas periferias com o genocídio dos negros. Ou seja, faremos uma espécie de aula pública", continua. Ela garante que este é somente o primeiro ato e que já na quinta-feira (12), dia de abertura da Copa do Mundo, também acontecerá uma "festa junina de abertura da Copa popular", que contará com brincadeiras críticas, ainda em desenvolvimento.

A ação desta terça ocorrerá em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos, com a participação das Mães de Maio, do Movimento Passe Livre (MPL), do Comitê Pela Desmilitarização da Polícia, do Movimento Palestina para Todos (MOPAT), do Comitê Contra o Genocídio da População Negra, Pobre e Periférica e outros. Além das falas dos movimentos sociais e organizações convidadas, o Congresso do Povo terá, ainda, apresentações musicais, intervenções teatrais e projeções. 

De acordo com o Comitê, houve um investimento governamental de quase R$ 2 bilhões em aparato de repressão para a Copa do Mundo e estão previstas para o período do torneio prisões “preventivas” e tribunais “especiais” para julgar mais rapidamente os manifestantes detidos ou mesmo grevistas. O grupo, assim como os outros movimentos participantes, exigem o fim dos inquéritos políticos e dos tribunais especiais "em nome da garantia do direito à ampla defesa e ao devido processo legal e do direito à greve, que estão na Constituição" e a desmilitarização das polícias, "fator fundamental para construir uma sociedade mais justa e democrática, deixando para trás as sombras de um Estado penal autoritário".

O Comitê Popular foi criado em 2011 e se reconhece como "um grupo horizontal e apartidário de articulação e resistência contra impactos e violações de direitos humanos da Copa do Mundo de 2014".

* Programa de Estágio Jornal do Brasil

Tags: Atos, Copa, manifestações, movimentos, popular, protestos, resistencia

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