Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

País

Paralisação do Metrô em SP às vésperas da Copa repercute no exterior

Reflexos no trânsito e atuação da polícia são abordados pela imprensa internacional

Jornal do Brasil

A greve dos metroviários de São Paulo, que dura cinco dias, chamou a atenção da imprensa internacional nos mais diversos países, do New York Times à Al Jazeera. Declarações de integrantes do movimento, que pedem que os trabalhadores não se intimidem com as demissões e repercussão da greve, ganharam destaque. Eles pedem um aumento salarial de 12,2%, contra os 8,7% que a empresa oferece. Muitos dos repórteres estrangeiros que chegam ao país para cobrir a Copa do Mundo apuram agora os desdobramentos da paralisação, com casos de prisões de manifestantes, violência policial, além dos efeitos no trânsito paulista.

Jornal espanhol alerta que entrada do estádio em São Paulo pode virar um martírio para torcedores que vão assistir à abertura da Copa do Mundo
Jornal espanhol alerta que entrada do estádio em São Paulo pode virar um martírio para torcedores que vão assistir à abertura da Copa do Mundo

Com foto do batalhão de choque na capa do site, o El País destaca que os "distúrbios" entre polícia e trabalhadores, e a greve em si, complicam a inauguração do Mundial. "A entrada do estádio Itaquerão, na Zona Leste de São Paulo, pode converter-se em um martírio para os milhares de torcedores que vão participar na quinta-feira (12) da abertura da Copa do Mundo com o Brasil-Croácia." A reportagem frisa que o primeiro dia de greve contou com um engarrafamento quase histórico de 239 quilômetros. 

A adesão de outros movimentos sociais e sindicatos a luta dos trabalhadores da categoria, o alerta de integrantes do movimento para que não desanimem com os discursos anti-grevistas, e a atuação dos policiais também ganha destaque no jornal espanhol, que informa que uma nova assembleia foi convocada para esta terça-feira (10), para decidir sobre a continuidade da greve. A matéria não deixa de frisar, contudo, que a paralisação declarada ilegal em decisão unânime no Tribunal Regional do Trabalho afeta a vida de 4 milhões de pessoas e que põe em risco a mobilidade da cidade a três dias da Copa. 

"O assunto pode inclusive se ampliar e gerar uma greve geral. 'Noventa por cento dos trabalhadores apoiam nossas reivindicações', assegurava um dos líderes sindicais durante a assembleia de domingo. Ao término da reunião, em meio a um mar de gritos e protestos, um dos trabalhadores tomou a palavra e exclamou: 'Enquanto saírem daqui vão começar começar a ouvir que temos que acabar com a greve, que há muito em jogo com o mundial. Não desanimeis. Além da Copa, Neymar e Fifa, o que está em jogo aqui é nossa vida e a dos trabalhadores'.", aponta a reportagem do El País

Declaração do presidente da CBF e membro do Comitê Executivo da Fifa, Marco Polo del Nero, também recebeu destaque. Para del Nero, a greve dos metroviários não é problema: "Se não há metrô, que as pessoas andem de ônibus ou de carro. Sempre há alternativas."

The Guardian, em matéria publicada nesta quinta-feira por repórter no Rio de Janeiro, diz que o Brasil se prepara para um difícil começo de Copa do Mundo, enquanto protestos de grevistas tomam conta de São Paulo. O ataque da polícia aos manifestantes com gás lacrimogêneo é citado como um “desastre”, em um país que ainda está inseguro com o fato de sediar o evento. “A menos de quatro dias antes de sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo, São Paulo se tornou um cenário de protestos, incêndios e gás lacrimogêneo na segunda-feira, enquanto metroviários trouxeram caos à cidade.” A greve ainda é ressaltada como a última dor de cabeça dos organizadores da Copa.

Jornal argentino fala em “caos em São Paulo, a quatro dias do início do Mundial”
Jornal argentino fala em “caos em São Paulo, a quatro dias do início do Mundial”

O francês Le Monde, na editoria especial Brésil 2014, também destaca a ação da polícia com manifestantes. O jornal coloca o metrô de São Paulo como principal meio de acesso ao Itaquerão, ressalta o bloqueio por seis horas de rua paulista por manifestantes e a declaração de ilegalidade da greve pela justiça brasileira.

O argentino Clarín fala em “caos em São Paulo, a quatro dias do início do Mundial”, com destaque para a paralisação da cidade e enfrentamentos entre policiais e manifestantes que realizam piquetes. A matéria fala no perigo do Brasil ter uma festa arruinada.

La Jornada, jornal mexicano, abriu espaço para o tema em uma das manchetes principais de seu site. Abordando os problemas causados no trânsito e a ação policial, indicam que 150 manifestantes atearam fogo a montanhas de lixo para bloquear o trânsito em avenida no centro de São Paulo, quando 25 policiais teriam lançado gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, sem conseguirem, no entanto, conter a marcha até a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, que seguia com o coro: “Não vai ter Copa, vai ter greve!”.

O Al Jazeera também fala da continuidade de uma greve “ilegal” que tem causado “caos” no trânsito. A declaração de Bruno Matos, de 24 anos, é citada na matéria. Ele participou da manifestação para dar suporte aos metroviários: “É uma luta não apenas por eles, mas também uma luta contra a falta de qualidade no transporte. Eles têm uma luta salarial específica, mas também pelos direitos dos passageiros.”

O The New Indian Express ressalta a ameaça de paralisação do serviço no dia da abertura da Copa, caso a empresa de metrô não dialogue com os trabalhadores. “Visitantes da Copa do Mundo que chegam à cidade têm que enfrentar um engarrafamento fora do habitual em uma cidade já habituada a pesados congestionamentos.”

Já o Deutsche Welle vem acompanhando a greve dos trabalhadores de São Paulo, com destaque para o andamento das negociações dos trabalhadores e a atuação da polícia. "A greve do metrô segue protestos de grandes grupos de desabrigados que têm distraído a nação normalmente apaixonada por futebol. (...) As equipes da França, Camarões, Argentina, Uruguai, Equador, Costa Rica, Honduras e Estados Unidos devem chegar nesta segunda-feira no Brasil - os três últimos em São Paulo."

Tags: copa do mundo, greve, imprensa internacional, Metrô, preocupações

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.